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Apae de Taquara: há 50 anos melhorando a qualidade de vida de usuários e familiares

Entidade oferece atendimento clínico durante todo o ano e escolar conforme o calendário letivo do município, de forma totalmente gratuita
Danilo Jacques, de 11 anos, filho de Adriana Marcelino, frequenta a Apae de Taquara desde os 11 meses de idade
Foto: Cleusa Silva / Rádio Taquara

Fundada no dia 12 de julho de 1974, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Taquara vem contribuindo com a melhora na qualidade de vida de seus usuários e também acolhendo seus pais e familiares. Representando todos os pais e mães que já foram ou estão sendo apoiados pela instituição, a reportagem da Rádio Taquara FM 105.9 entrevistou Natália Marcelino, de Taquara, mãe do menino Danilo Jacques, de 11 anos, que frequenta a Apae de Taquara desde os 11 meses de idade.

O menino, filho de Douglas Jacques e irmão de Cecília Jaques, de sete anos, foi diagnosticado com a Síndrome Cri Du Chat, síndrome genética causada pela perda parcial do braço curto do cromossomo 5, e que provoca diversas consequências para as crianças, como deficiências intelectual e motora, microcefalia, autismo sindrômico, entre outras.

“Minha mãe foi professora na Apae, de 1990 a 2000 e eu já conhecia muito bem o trabalho desenvolvido por eles. Então, quando o Danilo precisou de atendimento específico, fui até lá e fui muito bem acolhida. O Danilo iniciou fazendo terapias, atendimentos com fisioterapeuta, fonoaudióloga e psicóloga e, quando completou seis anos, ingressou na parte escolar”, explica Natália.

Fotos: Arquivo pessoal

Atualmente, Danilo está cursando Alfabetização Ciclo I, do Ensino Fundamental, na parte da tarde, com a professora Elisa Andréa Vargas. E, uma vez por semana, na parte da manhã, segue realizando atividades extracurriculares, na parte clínica.

Fotos: Cleusa Silva/ Rádio Taquara

Natália destaca que, desde que seu filho começou a frequentar a Apae de Taquara, o menino se tornou uma criança muito mais independente e hoje realiza sozinho atividades como ir e voltar para a escola de ônibus.

“Como a Silvia [Adriana Gelinger, diretora da escola], sempre fala nas reuniões: ‘a gente tem que preparar eles pra vida’. E eles fazem esse trabalho com maestria. Até porque, os profissionais que trabalham na Apae de Taquara têm vocação e escolheram estar lá porque realmente gostam do ambiente. E essa dedicação de toda a equipe faz a diferença para que eles cresçam e evoluam”, ressalta a mãe do Danilo.

Silvia Adriana Gelinger (dir) é responsável pela direção da escola da Apae de Taquara
Foto: Cleusa Silva / Rádio Taquara

De acordo com o presidente da Apae de Taquara, Paulo Roberto Streit, a instituição conta atualmente com o trabalho de 21 pessoas, entre professores, psicólogos, neuropediatras, fonoaudiólogos, assistentes sociais, além do setor administrativo, cozinha e limpeza.

“Nosso trabalho tem como foco atender crianças com múltiplas deficiências intelectuais, nos setores da educação, assistência social e a parte clínica. Aos seis anos, os frequentadores da Apae já podem ingressar nas aulas de ensino fundamental, seguindo conosco até o equivalente ao 5º ano de uma escola do município. Passado esse período, de acordo com o desenvolvimento de cada criança, o aluno então é orientado a seguir os estudos em uma escola da rede pública”, explica Streit.

Ele relata também que a instituição possui um centro de convívio para aqueles estudantes com mais de 20 anos, e que não tem mais condições de evoluir na parte didática, mas que ainda precisam manter sua rotina de convivência. Então, eles vão até a Apae de Taquara, uma ou duas vezes por semana, e realizam atividades como oficinas de arte, de culinária, entre outras.

Natália Marcelino e Paulo Roberto Streit (dir), que é o presidente da Apae de Taquara pela segunda vez
Foto: Ronaldo Siebel / Rádio Taquara

Com a mudança ocorrida na sociedade nestes 50 anos de existência da Apae de Taquara, a segunda inaugurada no Vale do Paranhana (a primeira foi a Apae Três Coroas), a instituição também procura formas de inserir seus usuários no convívio com pessoas de fora do seu núcleo familiar.

“Hoje em dia, as famílias aceitam com mais naturalidade uma criança que apresente algum tipo de deficiência. Diferente de antigamente, que muitas famílias escondiam os meninos e meninas dentro de casa. E quanto melhor e mais cedo for a aceitação, logo essa criança terá atendimento adequado, se tornando um adolescente e adulto com mais qualidade de vida e, em alguns casos, até ser inserido no mercado de trabalho”, conta o presidente da Apae de Taquara.

Como tudo começou

Silvia Adriana Gelinger, diretora da escola da Apae de Taquara, conta que tudo começou em 1964, no Grupo Escolar Rodolfo Von Ihering, que criou a primeira classe especial, em Taquara. Os atendimentos então foram evoluindo, ao ponto da escola ter um número significativo de pessoas, cerca de 50 alunos especiais, e precisava de um espaço maior.

“Oficialmente, a Apae de Taquara foi fundada no dia 12 de julho de 1974, mas as primeiras reuniões continuavam acontecendo lá no Rodolfo e, eventualmente no prédio da antiga CEEE, pois o seu Claro Monteiro, primeiro presidente da instituição, era funcionário da CEEE”, conta Silvia.

A diretoria da Apae de Taquara então iniciou uma campanha, em busca de um local para a sede da instituição, seguida de outras ações para arrecadar recursos para a construção do imóvel.

“Esta área de terras aqui, onde nós estamos, pertencia ao Governo do Estado, pertencia ao Presídio Estadual. Depois de uma longa negociação, a diretoria então conseguiu a concessão, a doação do terreno. E aí começaram novas campanhas com a comunidade, pra juntar recursos pra construção desse prédio. Como, por exemplo, a arrecadação de garrafas e embalagens de vidro, que gerou um valor bem significativo na época”, relata a diretora.

Campanha de arrecadação de garrafas de vidro, em 1977
Foto: Arquivo Apae de Taquara

Em 1985, a então chamada Escola Especial da Apae ganhou o nome de Escola de 1º Grau Incompleto “Professora Cassandra Fritscher”, em homenagem a uma professora da entidade, que se destacou muito pela sua dedicação com a educação especial, que faleceu em 1983.

“A Cassandra lecionou aqui de 1965 a 1982. Em 83, ela veio a falecer, de câncer. A diretoria, na época, pensando em homenagear um dos professores, propôs o nome dela e todos aceitaram. A solenidade oficial, com a inclusão de uma placa na entrada da escola, ocorreu em 1985, com a presença dos pais da Cassandra, seu Hélio e a dona Leda, e também o Marcelo, seu filho”, relata Silvia.

Inauguração da placa com o nome da Cassandra Fritscher, em 1985
Fotos: Arquivo Apae de Taquara

A entidade, que oferece atendimento clínico durante todo o ano e escolar conforme o calendário letivo do município, de forma totalmente gratuita, atualmente se mantém por meio de convênios, contribuições espontâneas, realização de eventos, repasse de emendas parlamentares e doações via Nota Fiscal Gaúcha e do imposto de renda.

“Nós temos um termo de parceria com a Prefeitura de Taquara, outro com o Governo do Estado, mas infelizmente eles não garantem a nossa sustentabilidade. Então, a gente tem os associados, que fazem sua contribuição espontânea, os eventos que a gente faz, além de investimentos geralmente feitos a partir de editais, de emendas parlamentares. Tudo isso no sentido de manter a instituição em funcionamento”, explica a diretora.

Quem quiser contribuir com o trabalho realizado pela Apae de Taquara, pode entrar em contato com a instituição, pelo telefone (51) 3542-1446, ou pelo e-mail [email protected], e falar com a diretora Silvia.

Fotos: Cleusa Silva / Rádio Taquara