Darci Adão Feltes, 58 anos, natural de Linha Café, Três Coroas. Tem quatro filhos: Claudia Isabel, Claudio Jair, Joni Rodrigo e Vanessa Luana; e dois netos: Claudio Junior, de 12 anos, e Milena, de 2. É locutor da Rádio Taquara, emissora que completou 58 anos de atividades na última terça-feira.
O que representa para você atuar na Rádio Taquara durante dez anos?
Lembro que a primeira pegadinha que fiz em um programa foi “O que eu e a Rádio Taquara temos em comum?” Isso porque, temos a mesma idade. É muito gratificante trabalhar na Rádio Taquara pelo número de amigos que a gente faz, que nos identificam na rua. De um jeito ou de outro, é um reconhecimento.
Conte-nos sobre sua carreira no rádio.
Eu tinha contato com o pessoal da rádio Amizade (Igrejinha), pois colocava anúncio da minha lancheria naquela emissora. Além disso, fazia propaganda de rua para os bailes promovidos pelo Paulo César Carvalho (também da rádio Amizade). Uma noite, escutando a rádio, percebi que o locutor iniciou o programa se despedindo. No outro dia, fui até a rádio e perguntei ao Paulo quem ficaria no lugar daquele funcionário. Na mesma noite iniciei como operador de rádio. Aos poucos, pude começar a intervir no programa e, entre uma música e outra, informava sobre a temperatura e mandava um abraço pra fulano ou beltrano. Um ou dois meses depois, passei a fazer também o programa alemão Sing Für Dich (Canto para você), aos domingos de manhã. Depois trabalhei na rádio Itaramã, de Tramandaí e, em seguida, fiquei dois anos “por conta”. Após, fui chamado para trabalhar na Emoção FM e, depois de um mês, comecei o programa Tarde Alegre na Rádio Taquara, que mantenho até hoje, além do programa em alemão que vai ao ar nas tardes de sábado.
E qual é o perfil de seus ouvintes?
A grande maioria ouve tanto o programa Tarde Alegre quanto o programa alemão. São pessoas do interior, onde existem ainda bastante descendentes de alemães. Tenho contato com eles e, no inverno, quando escurece mais cedo, sempre brinco com o pessoal que leva o rádio junto para a lavoura. Eu digo “Pelo amor de Deus, não me esqueçam aí na roça”. Com a família Huff, de Morro Alto, que cria vacas, brinco dizendo que, enquanto eles tiram o leite, colocam fones de ouvido nelas, para que também escutem o programa, melhorando, assim, ainda mais a qualidade do leite.
Como você vê a preservação do dialeto alemão e a hipótese dele desaparecer?
Com o tempo a tendência é desaparecer, mas espero que através de iniciativas como a Confraria do Hunsrück ele possa ainda durar muito. Já notamos que os filhos do pessoal de mais idade do interior, que vão morar na cidade, esquecem o dialeto. Um exemplo é meu próprio filho: ele entende tudo o que minha mãe fala em alemão, mas só consegue responder em português.
Como você se autodefine?
Sou uma pessoa tranqüila. Não preciso contar até 10 para me acalmar. Para me tirar do sério, tem que fazer um baita de um esforço.
Fale sobre sua paixão futebolística pelo Grêmio.
Quando meu neto nasceu, meu filho comprou uma camiseta do Grêmio para colocar na porta do hospital. Comigo não foi assim: quando era pequeno, ninguém me colocou camiseta de time. Fui escolher quando comecei a entender do que se tratava. Mesmo assim, digo que sou gremista de nascença e até morrer, aconteça o que acontecer. Isso que, para mim, futebol é lazer. Ao mesmo tempo, não consigo entender que, na política, que deveria ser algo mais sério, as pessoas mudam de partido facilmente, algo que não aceitam fazer com o seu clube do coração.
O que gosta de fazer nas horas vagas?
Tudo o que é saudável. Passear, conversar, fazer novos amigos, tudo que seja para o lado positivo.
Quais são seus planos para o futuro?
Continuar na empresa, se Deus quiser e se o seu Olavo permitir. E, ainda, penso em tentar me candidatar para alguma coisa, para vereador talvez, contrariando minha opinião sobre a política. O ideal é que pudesse ser independente, sem partido nenhum.
Mania: ouvir rádio e olhar televisão ao mesmo tempo e dormir com o rádio ligado.
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