A Polícia Civil divulgou, nesta sexta-feira (18/10), novas circunstâncias apuradas no inquérito que investiga a morte das irmãs gêmeas Antônia e Manoela Pereira, em Igrejinha. A mãe das crianças é suspeita da morte das gêmeas e novos indícios foram acrescentados no inquérito e pesam contra a acusada, que está presa. Um dos indícios levantados pela polícia é que a mulher colocava remédios na comida do seu marido para ele dormir.
Segundo o delegado Ivanir Caliari, a filha mais velha do casal foi ouvida na delegacia e confirmou, em depoimento, não duvidar de que a mãe possa ter dado alguma substância para suas irmãs, sem admitir essa conduta. A filha diz que testemunhou por diversas vezes, quando vivia junto com os pais, que sua mãe misturava remédio na comida do pai para que ele dormisse e não incomodasse.
Outro fato constatado durante as investigações foi no sentido de que, há cerca de três meses atrás, os três gatos pertencentes às gêmeas apareceram mortos no interior da casa, sem qualquer explicação. Segundo o delegado Caliari, ressalta-se que os gatos eram domésticos, e não saíam de dentro de casa.
A polícia apurou que havia discussão por ciúmes da mãe em razão da boa relação do pai com as filhas. A mãe, segundo o apurado, reclamava que o marido sempre ficava no lado das filhas quando havia conflito entre elas. Após a primeira morte de Manoela, a mãe não concordava em transferir a casa para a filha Antônia, conforme o pai passou a manifestar essa intenção.
Profissionais de saúde que atenderam a mãe das gêmeas relataram à polícia que ela tinha afeto somente em relação ao filho mais velho, já falecido. Não demonstrava emoção, afeto ou preocupação com as filhas. A mulher chegava até a negar contato com as gêmeas quando oferecida chamada de vídeo.
A polícia também colheu o relato de profissionais de educação que atendiam as crianças. Segundo eles, o pai era presente, atencioso, amoroso e preocupado com o desempenho das filhas. Já a mãe era distante, aparentando indiferença.
A mulher também fez uma denúncia caluniosa contra o seu marido em 2023. ” Outro fato relevante se dá em relação à denúncia feita pela mãe de abuso de que o pai abusava das crianças, no ano de 2023, ocasião em que o casal estava separado e que as gêmeas estavam sob a guarda do pai. Ao final das investigações, ficou constatado pela perícia do IGP que as meninas não sofreram o abuso e que foram induzidas a falar o fato. Em seu depoimento na delegacia, por ocasião da morte das filhas, ao ser indagada a mãe confessou que denunciou o marido pelo abuso para poder ficar com a guarda das crianças”, relatou o delegado Caliari.
Conforme o delegado, as investigações continuam em curso, com a tomada de depoimentos, a remessa dos aparelhos telefônicos dos pais das vítimas para perícia. Caliari reforçou a importância da conclusão dos laudos periciais a serem emitidos pelo Departamento Médico Legal (DML) e pelo laboratório do IGP.


