
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM) participou, nesta quarta-feira (11/12), das fiscalizações na fábrica da Dielat, em Taquara, realizadas pelo Ministério Público em investigação sobre supostas fraudes envolvendo a produção de leite. Segundo Vagner Hoffmann, chefe do Departamento de Fiscalização da FEPAM, a empresa já havia sido alvo de autuações e notificações no passado no que se refere a questões ambientais, especialmente em relação às emissões atmosféricas e ao tratamento inadequado de efluentes.
Hoffmann explicou que, em 2023, a FEPAM exigiu ajustes na planta industrial devido a emissões de particulados e odores – em função das queixas da população local sobre mau cheiro que seria proveniente da planta industrial. Desde então, a empresa implementou monitoramentos mais frequentes e adequações em seu sistema de controle, o que levou a uma redução das reclamações de odor. Durante a fiscalização integrada à Operação Leite Compensado, realizada nesta quarta-feira, os agentes verificaram que a caldeira da fábrica não apresentava emissão de fuligem ou problemas visíveis relacionados às emissões atmosféricas.
Entretanto, outra questão ambiental voltou a chamar a atenção. A FEPAM identificou possíveis lançamentos irregulares na rede pluvial, provenientes de lavagens realizadas na planta industrial. Durante a inspeção, foram coletadas amostras de água em locais de difícil acesso, como caixas de passagem cobertas por tampas de concreto. Uma das amostras, próxima à estação de tratamento de efluentes da fábrica, apresentou características preocupantes: aparência leitosa, pH elevado em torno de 11, alta turbidez e indícios de contaminação com partículas suspensas.
“A coleta dessas amostras é essencial para determinar se houve de fato contaminação e quais substâncias podem estar envolvidas. Os dados preliminares apontam que a água analisada não é compatível com águas da chuva, indicando algum tipo de interferência industrial”, afirmou Hoffmann. As amostras foram enviadas para análise laboratorial, e os resultados serão utilizados para embasar eventuais medidas administrativas ou penalidades contra a empresa.
Hoffmann ressaltou que, apesar de avanços pontuais no controle de emissões, a Dielat permanece sob monitoramento regular da FEPAM. “Seguimos exigindo da empresa a manutenção de seus sistemas de controle e o cumprimento das normas ambientais, tanto nas emissões atmosféricas quanto no tratamento de efluentes. Qualquer irregularidade será tratada com as medidas cabíveis”, garantiu.


