O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apresentou, nesta sexta-feira (13), um novo pedido de prisão preventiva contra o químico industrial Sérgio Alberto Seewald investigado na 13ª fase da Operação Leite Compensado. Detido inicialmente na última quarta-feira (11), em Imbé, o investigado é apontado como responsável pela criação de fórmulas que, segundo a investigação, mascaravam leite vencido ou deteriorado com o uso de soda cáustica e água oxigenada. Atualmente, a apuração da Promotoria aponta que o químico estava atuando na fábrica da Dielat, em Taquara, alvo da operação desta semana.
Segundo os promotores de Justiça Mauro Rockenbach e Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, o químico, conhecido como “alquimista” ou “mago do leite”, já estava impedido de atuar em laticínios devido a uma decisão judicial da Comarca de Teutônia, emitida em 2014, durante a 5ª fase da Operação Leite Compensado. Apesar disso, ele teria descumprido a proibição e continuado a operar, agora na fábrica em Taquara.
Conforme a Promotoria, as investigações apontaram que, além de aprimorar as fórmulas de adulteração de leite, o químico criou, em 2020, uma empresa em nome da esposa para manter suas atividades ilícitas sob disfarce, utilizando a fachada de uma firma de propaganda e publicidade. Para os promotores, essa estratégia reforça o desrespeito às decisões judiciais e a continuidade das práticas fraudulentas.
Operação Leite Compensado 13
Na atual fase da operação, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão nas cidades de Taquara, Três Coroas, Parobé, Imbé e São José do Rio Preto (SP). Além do “alquimista”, uma funcionária do laticínio investigado em Taquara foi presa em flagrante.
As investigações apontaram que a fábrica produzia e distribuía leite UHT, leite em pó, soro de leite e compostos lácteos que estariam adulterados para todo o Brasil e para a Venezuela. Além das adulterações químicas, as análises identificaram, segundo a Promotoria, sujeira em embalagens.
Histórico da Operação Leite Compensado
Lançada em 2014, a Operação Leite Compensado já cumpriu dezenas de mandados de prisão e busca e apreensão ao longo de suas fases, desarticulando esquemas de adulteração no setor lácteo. Na 5ª fase, realizada em maio de 2014, o “alquimista” foi preso pela primeira vez em Imigrante. Na ocasião, outros empresários e indústrias da região foram acusados de utilizar produtos como soda cáustica, bicarbonato de sódio e água oxigenada para mascarar irregularidades no leite.
Contraponto
Quanto ao pedido de prisão preventiva apresentado nesta sexta-feira (13), os representantes legais de Sérgio Alberto Seewald informaram que, por ora, não irão comentar o assunto.
No tocante à 13ª etapa da operação, desencadeada na quarta-feira (11), a defesa declarou ao jornal Zero Hora que “ele não mantém qualquer tipo de ligação, formal ou informal, com a empresa Dielat”, foco das apurações. O advogado Nicholas Horn afirmou ainda que “as alegações do Ministério Público não refletem a realidade”. Ele também mencionou que “todas as ações necessárias estão sendo adotadas para assegurar a liberdade de seu cliente”.









