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MP revela suposto uso de ração animal na adulteração de leite em Taquara

Substância seria usada para aumentar o volume de produção, segundo a Promotoria; 15 pessoas foram denunciadas.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP) revelou, em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (19) em Porto Alegre, a suposta utilização de ração animal na adulteração de leite e derivados pela indústria Dielat, de Taquara. O objetivo seria aumentar o volume de produção das empresas envolvidas. A denúncia, remetida à Justiça na noite de quarta-feira (18), aponta 15 pessoas como responsáveis pela fraude, incluindo o químico industrial Sérgio Alberto Seewald, conhecido como “O Alquimista”.

De acordo com o promotor Mauro Rockenbach, em coletiva de imprensa, as investigações comprovaram que produtos vencidos e impróprios para o consumo humano eram adicionados ao leite, que também receberia soda cáustica e água oxigenada para mascarar a deterioração. Além disso, a Promotoria afirma que teriam sido identificadas fórmulas detalhadas em anotações apreendidas durante a operação, que orientavam a utilização da ração animal no processo de adulteração.

As ações da Operação Leite Compen$ado, que já haviam ocorrido em fases anteriores, culminaram na apreensão de 230 mil litros de leite UHT e 20 toneladas de soro de leite em pó. O MP anunciou a intenção de ingressar com uma ação civil coletiva visando o ressarcimento de consumidores e empresas prejudicadas.

O que dizem as defesas

A defesa de Sérgio Alberto Seewald afirmou que ele “prestou, em momentos circunstanciais, consultoria administrativa à Dielat, que passava por dificuldades técnicas e financeiras”. Os advogados ressaltaram que “todas as fórmulas que o MP tornou público, mediante inclusive fotografias, são fórmulas próprias do leite, NÃO INDICANDO ELEMENTOS COMO SODA E/OU ÁGUA OXIGENADA”.

Já a Dielat declarou surpresa diante das acusações e afirmou que na denúncia “não foi encontrado NENHUM UM ÚNICO LAUDO ou exame que constatasse o que alega o Ministério Público”. A empresa ainda destacou a intenção de “buscar indenização por difamação, calúnia e injúria pelas falsas acusações realizadas”. A companhia reiterou seu compromisso com a qualidade de seus produtos, destacando que mantém rigorosa fiscalização em suas operações, e suspendeu temporariamente suas atividades até que os fatos sejam esclarecidos.