Os laudos periciais realizados nos corpos das gêmeas Manuela e Antonia, que morreram com oito dias de diferença em Igrejinha, não identificaram veneno ou substâncias tóxicas nos restos mortais das crianças. A informação foi divulgada pelo portal G1 e pela RBSTV, que afirmam terem tido acesso aos documentos analisados pelo Instituto Geral de Perícias (IGP). A causa das mortes foi classificada como “indeterminada”.
A mãe das meninas, Gisele Beatriz Dias, é ré no processo e está presa preventivamente. O Ministério Público (MP) reafirmou sua posição, afirmando que mantém a acusação contra ela, mesmo sem a identificação de substâncias tóxicas nos laudos. Já a defesa de Gisele argumenta que, sem prova de envenenamento, a ré deve ser solta e o processo, arquivado.
Segundo as informações divulgadas, os exames periciais testaram mais de cem substâncias químicas, incluindo sedativos, pesticidas e venenos como o arsênio. Nenhuma substância tóxica foi encontrada. A única substância detectada foi formol, utilizado para a preservação de cadáveres. Segundo o IGP, não há relação entre a presença do formol e as mortes das crianças.
As investigações incluíram a análise de computadores, celulares e da residência da família. Os peritos não encontraram evidências digitais que indicassem pesquisa sobre envenenamento. No entanto, o inquérito policial aponta que a mãe das meninas realizou buscas na internet sobre a letalidade de venenos e que os registros dessas pesquisas foram posteriormente apagados.
Gisele Beatriz Dias foi denunciada pelo MP sob acusação de duplo feminicídio, com a qualificadora de meio cruel. A Promotoria argumenta que as mortes ocorreram em contexto de violência doméstica e reforça que há outros elementos que sustentam a denúncia.
A defesa, por sua vez, contesta a acusação, destacando que os laudos afastam a hipótese de envenenamento e não descartam causas naturais para os óbitos.
Íntegra das manifestações oficiais
Nota da defesa de Gisele Beatriz Dias:
“Os diversos laudos juntados pelo IGP confirmam aquilo que a defesa tem dito desde o início: não há qualquer elemento científico que comprove a hipótese de morte por envenenamento ou intoxicação. Que fique claro, os laudos do IGP afastam essa hipótese.
Foram testadas centenas de substâncias e absolutamente nada foi encontrado no sangue das meninas. Ou seja, elas não foram envenenadas e tampouco intoxicadas.
Todavia, o MP segue afirmando que as meninas foram intoxicadas ou envenenadas. O que o MP está fazendo é brigar com a ciência.
Em relação a Antônia, aliás, a necropsia, anexada só agora, afasta a morte por hemorragia pulmonar e não descarta que tenha sido decorrente de causas naturais. Trata-se de uma prova técnica que rechaça completamente a absurda afirmação contida na denúncia do MP de que as causas das mortes da Manuela e da Antônia foram em circunstâncias idênticas.
Insiste-se: a necropsia da Antônia afasta completamente a narrativa acusatória. E, mesmo assim, minha cliente está presa, sem qualquer prova de que as meninas tenham sido assassinadas.
Sem prova do envenenamento, com uma necropsia que não afasta causas naturais, o processo deve ser trancado e minha cliente imediatamente solta.”
Nota do Ministério Público:
“O Ministério Público do Rio Grande do Sul mantém a mesma convicção, ainda que os laudos não tenham conseguido confirmar qual substância eventualmente foi utilizada.
As razões de fato e de direito constam perfeitamente explicitadas na denúncia, que contém uma série de outros elementos veementemente e fortemente comprobatórios das mortes violentas, dolosa e intencionalmente provocadas. Para o MPRS, não há dúvidas da prática criminosa.”


