
A hipnoterapia tem ganhado espaço como uma alternativa terapêutica para lidar com transtornos emocionais. No programa Painel, da Rádio Taquara, o hipnoterapeuta Fábio Matte explicou, nesta segunda-feira (3/3), os benefícios dessa abordagem e como ela pode ser empregada no tratamento de fobias, ansiedade e outras questões emocionais.
Fobia social e medos irracionais
Matte iniciou a conversa abordando a fobia social, um dos transtornos em que a hipnoterapia pode ser eficaz. Ele explicou que a fobia é um medo irracional e paralisante, diferente do medo natural, que tem função protetiva.
“A fobia social, por exemplo, é o medo exagerado de interagir com pessoas, falar em público ou simplesmente sair de casa. Esse bloqueio pode ter sido gerado por experiências passadas que marcaram a pessoa de forma inconsciente”, explicou.
Segundo ele, o tratamento com hipnoterapia busca identificar e ressignificar esses momentos traumáticos. “Tive um caso de uma paciente que, além da fobia social, tinha ansiedade e insônia. Em apenas duas sessões, conseguimos reduzir significativamente esses sintomas. Já na terceira, a fobia social foi resolvida”, relatou.
Como funciona a hipnoterapia?
O hipnoterapeuta esclareceu que a hipnose é um estado natural da mente, semelhante àquele momento entre o sono e a vigília. A diferença é que, na terapia, esse estado é utilizado para acessar áreas do cérebro responsáveis por emoções e memórias.
“Na hipnoterapia, ativamos redes neurais subcorticais, onde estão armazenadas nossas emoções e traumas. Técnicas como a regressão nos ajudam a identificar a origem do problema. Muitas vezes, a pessoa viveu uma experiência negativa na infância que gerou um bloqueio emocional”, detalhou.
Matte também mencionou um caso de medo de altura tratado por ele. Durante a terapia, o paciente relembrou um evento da infância: uma queda do berço seguida por um susto ao atravessar uma passarela. “O cérebro associou esses dois eventos e criou o medo de altura como um mecanismo de defesa. Quando conseguimos desconectar esses gatilhos emocionais, o medo desapareceu”, afirmou.
Ansiedade e influência das redes sociais
Outro tema discutido foi a ansiedade e o impacto das redes sociais na saúde mental. O hipnoterapeuta destacou que muitas pessoas acabam se comparando com outras ao ver postagens idealizadas, o que pode levar à frustração e à sensação de insuficiência.
“A única comparação saudável é com nós mesmos. Se a pessoa se sente inferior ao ver a vida perfeita dos outros na internet, é importante lembrar que aquilo é apenas uma parte da realidade. A hipnoterapia pode ajudar a mudar essa percepção e fortalecer a autoestima”, explicou.
Ele também ressaltou que padrões de comportamento são muitas vezes herdados da família. “Se uma mãe se compara o tempo todo com os outros, é provável que seu filho desenvolva esse mesmo hábito. Aprendemos pelo exemplo”, disse.
Tratamento e duração das sessões
Sobre o tempo necessário para que o tratamento tenha efeito, Matte informou que, geralmente, trabalha com um protocolo de cinco sessões. No entanto, muitos casos são resolvidos já na terceira ou quarta sessão.
“Se há gatilhos ocultos, podemos precisar de mais tempo para que a mente revele e processe essas memórias. Mas o diferencial da hipnoterapia é a rapidez dos resultados, já que conseguimos acessar diretamente o subconsciente”, afirmou.
Ele também ressaltou que o sucesso do tratamento depende do engajamento do paciente. “A pessoa precisa querer mudar. Se alguém vem forçado, por exemplo, por um familiar, e não está disposto a colaborar, o processo dificilmente terá sucesso”, alertou.
Contato e materiais gratuitos
Fábio Matte finalizou a entrevista informando que disponibiliza um e-book gratuito sobre ansiedade e manejo emocional, que pode ser acessado por meio de seu perfil no Instagram (@FábioMatte). Ele também atende pacientes interessados na hipnoterapia e compartilha conteúdos sobre o tema em suas redes sociais.
“Se você sente que tem um bloqueio emocional ou quer melhorar sua qualidade de vida, a hipnoterapia pode ser uma grande aliada”, concluiu.


