
A Câmara de Vereadores de Taquara oficializou, na sessão de quarta-feira (5), a instalação da Frente Parlamentar pelo Fim da Violência contra Mulheres, Meninas e Idosas. O evento, que abriu a sessão ordinária da Casa, reuniu parlamentares, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil para discutir medidas de enfrentamento à violência de gênero e geracional.
A vereadora Mônica Faccio, proponente da Frente Parlamentar, fez um discurso enfático sobre a necessidade urgente de políticas públicas para proteger mulheres e idosas vítimas de violência. Em sua fala, ela destacou que o mês de março é historicamente marcado pela luta feminina e que, apesar das conquistas, ainda há muito a ser feito para garantir a segurança e a dignidade das mulheres.
“É um prazer ver esta casa cheia para a abertura oficial do mês da mulher, um mês todo voltado para as nossas pautas, nossas necessidades, nossos sonhos e conquistas, mas também um mês focado em tudo aquilo que ainda precisamos construir. E a tarefa da Frente Parlamentar é justamente essa: organizar, propor e implementar políticas públicas que protejam meninas, mulheres e idosas”, afirmou a vereadora.
Mônica Faccio ressaltou que a violência contra as mulheres é um problema que atinge toda a sociedade e não pode ser tratado apenas como uma questão individual ou familiar. “Não é porque temos mães, irmãs ou filhas que devemos lutar contra essa violência. Esse enfrentamento é responsabilidade de toda a sociedade. Precisamos sair da lógica da omissão e entender que é um dever coletivo”, declarou.
A vereadora também apresentou dados alarmantes sobre a violência de gênero e geracional no Brasil. Segundo ela, o número de idosos vítimas de violência aumentou 15,7% no último ano, sendo que a violência patrimonial cresceu 35%, principalmente por meio de golpes financeiros e extorsões. Além disso, 1.467 casos de feminicídio foram registrados no último ano, e 70% das mulheres vítimas de violência doméstica não denunciam seus agressores.
“A violência doméstica é relativizada na nossa sociedade com falas como ‘em briga de marido e mulher ninguém mete a colher’, ou a ideia de que o que acontece dentro de casa deve permanecer ali. Muitas mulheres sentem culpa ou vergonha e acabam não denunciando. Mas não podemos aceitar essa realidade”, pontuou Mônica Faccio.
Ela também mencionou a subnotificação da violência no ambiente de trabalho, destacando que 35% das mulheres sofrem assédio moral ou sexual em seus empregos. Além disso, revelou que 61,6% das vítimas de estupro no Brasil são crianças com menos de 13 anos, alertando para a gravidade da violência contra menores.
“A violência não é só aquela que vemos, como um olho roxo ou um braço machucado. Existe a violência psicológica, a violência patrimonial, a violência emocional, e muitas delas acontecem dentro das casas, longe dos olhos da sociedade. É nosso dever combatê-las”, enfatizou a vereadora.
Mônica Faccio reforçou o compromisso da Frente Parlamentar em atuar de forma ativa, promovendo debates, campanhas educativas e cobrando medidas efetivas do poder público. “A Frente não é apenas dos parlamentares, mas de todos nós. E por isso estamos com uma agenda extensa de atividades ao longo do mês de março, com o apoio da Polícia Civil, OAB Mulher, escolas, igrejas, associações de moradores e diversos outros parceiros”, concluiu.

O evento também contou com a participação da doutora em Diversidade Cultural e Inclusão Social, Taís Prass, que fez uma explanação sobre os desafios enfrentados por meninas, mulheres e idosas no Brasil. Em sua fala, Prass ressaltou que a violência de gênero é estrutural e exige um trabalho contínuo de conscientização e transformação social.
“A violência contra as mulheres cresce todos os dias. A desinformação ainda é um dos maiores obstáculos para o enfrentamento dessa realidade. Mesmo após quase 19 anos da Lei Maria da Penha, apenas um quarto das mulheres brasileiras conhece de fato essa legislação”, alertou a especialista.
Ela também destacou a importância de um olhar interseccional para o tema, abordando como diferentes formas de opressão – como o racismo, o capacitismo e a gordofobia – impactam ainda mais determinados grupos de mulheres. “O nosso município tem a oportunidade de se tornar referência ao incluir a diversidade de mulheres nessa pauta. A luta pelos direitos das mulheres deve abranger todas elas: negras, trans, indígenas, idosas e gordas”, afirmou Prass.

Outra presença foi a da pastora Juliana Kupske, representante da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Em sua fala, ela ressaltou que a violência de gênero não é apenas um crime, mas também uma questão moral e espiritual. “A Igreja tem um papel fundamental no acolhimento das vítimas. Precisamos denunciar a violência e trabalhar para conscientizar as novas gerações sobre o respeito e a igualdade”, declarou.
A cerimônia foi encerrada com uma apresentação do Coral das Crianças da AABB Comunidade, que interpretou as músicas Valeu, Amigo e É Preciso Saber Viver. A vereadora Mônica Faccio elogiou a participação do grupo, destacando a importância da educação e da cultura na construção de uma sociedade mais justa.
Agenda de ações e participação da comunidade
A Frente Parlamentar terá uma programação extensa ao longo do mês de março, com diversas atividades de conscientização e mobilização da sociedade. Algumas das principais ações incluem:
- 08/03 (Manhã): Distribuição de material sobre direitos da mulher na Galeria Comassetto.
- 08/03 (Noite): Participação da Frente na Folia na Júlio, evento promovido pela Diretoria de Cultura.
- 11/03: Palestra do Programa Libertar, da Polícia Civil, na Câmara de Vereadores.
- 12/03: Café e Saúde, com bate-papo sobre bem-estar feminino, na Secretaria de Saúde.
- 14/03: Evento Yoga no Parcão, no Parque do Trabalhador.
- 21/03: 2º Encontro de Mulheres de Taquara, com palestra motivacional e sorteio de brindes.
- 26/03: Roda de Conversa sobre Enfrentamento à Violência de Gênero, na Justiça do Trabalho.
A vereadora Mônica Faccio convidou toda a comunidade a se envolver nas atividades e acompanhar os debates promovidos pela Frente Parlamentar. “Esta luta não é apenas das mulheres, mas de toda a sociedade. Só com o engajamento coletivo poderemos mudar essa realidade”, finalizou. A programação completa pode ser acessada no site da Câmara de Vereadores de Taquara.


