
Taquara teve uma manifestação em defesa de melhorias no sistema público de saúde do município. O ato ocorreu nesta quarta-feira (14), às 13h30, em frente à sede da prefeitura. A convocação ocorreu por meio das redes sociais e aplicativos de mensagens, motivada por uma série de reclamações sobre a dificuldade de acesso a atendimentos médicos, demora nos agendamentos e falhas no acolhimento nas unidades de saúde.
Pelo menos 50 pessoas participaram do protesto, reunindo-se em frente ao Palácio Municipal Coronel Diniz Martins Rangel para cobrar melhorias urgentes. Com cartazes, panelaço e um microfone aberto para os manifestantes, o ato seguiu de forma pacífica, marcada por discursos emocionados e críticas diretas à administração municipal.
Entre as mensagens exibidas estavam frases como: “A saúde pede socorro”, “Hospital sem estrutura, crianças sem futuro”, e “Saúde infantil não pode esperar”. Algumas faixas e cartazes foram direcionados diretamente à prefeita Sirlei Silveira, com apelos como: “Prefeita, escute nossa dor, pediatra é prioridade, não favor” e “Saúde infantil é prioridade, não promessa de campanha, prefeita”.
Apesar da mobilização popular e da manifestação feita em frente ao palácio, nenhum representante do Executivo municipal compareceu para dialogar com os manifestantes. A reportagem da Rádio Taquara aguarda posicionamento oficial da Prefeitura.
Suspeita de negligência resultou em morte
As irmãs Ana Paula Matias e Priscila Mello estavam entre as manifestantes. Elas relatam que a mãe, Eunice da Silva Mello, morreu há três semanas, aos 55 anos, após sucessivos atendimentos no hospital, onde, no entendimento de ambas, teria ocorrido negligência médica. Ao todo, a paciente foi levada sete vezes à casa de saúde, sempre com febre alta, mas era liberada sem um diagnóstico conclusivo.
“Levamos ela sete vezes para consultar, e nas sete mandaram a gente de volta para casa. Diziam que era pneumonia, faziam raio-x, mas afirmavam que o pulmão estava limpo. Mesmo assim, ela seguiu com febre todos os dias, por cerca de um mês. Em casa, a gente medicava e levava de novo ao hospital porque não sabíamos mais o que fazer”, conta Ana Paula.
Segundo Ana Paula, só na sétima ida ao hospital foi feita uma tomografia, após muita insistência da família. O exame revelou que a paciente estava com água no pulmão e uma bactéria agressiva. Ela foi internada e ficou 17 dias no hospital. Durante esse período, enfrentou mais episódios de dor e febre. Após a internação, recebeu alta.
Mas, de acordo com Ana Paula, sua mãe não foi acolhida com dignidade. “Fizeram a internação direto na sala de medicação, sem nem levá-la para o consultório. Ela gemia de dor com a cabeça doendo muito, porque já estava com meningite. Pedimos remédio por quase uma hora e fomos ignoradas. Uma enfermeira ainda debochou da minha cara”.
Ana Paula conta que, diante da demora, pediu à médica que desse um analgésico e que colocasse a mãe em um quarto. “Ela me disse: ‘Se tu tá com tanta pressa, vai buscar remédio em casa’. Em casa, a gente dá remédio quando sente dor. E no hospital, eles mandam ir buscar?”.
Durante a internação, a paciente passou mal diversas vezes sem receber assistência. “Teve um momento em que minha mãe começou a vomitar e fazer sinal de que estava sem ar. Pedi ajuda a um enfermeiro, que estava do lado. Ele ignorou. Fecharam a porta e nos deixaram ali”.
Outros episódios também marcaram a internação: segundo o relato, a paciente ficou dois dias na sala de observação, sem soro e sem remédios, mesmo em estado grave. A família precisou registrar um vídeo nas redes sociais denunciando a situação para que ela finalmente fosse medicada e transferida para um leito, que, segundo os funcionários, inicialmente “não existia”.
“Minha mãe não tinha mais o que vomitar, saía só espuma. A minha irmã precisou fazer um barraco. Eles diziam que não tinha leito, mas a gente sabia que tinha. Depois da pressão, em menos de meia hora, conseguiram leito e deram medicação. Mas aí já era tarde. Isso tudo resultou na morte da minha mãe”, conta Priscila.
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