Os apelos natalinos e de final de ano não me comovem, embora seja inevitável deparar com vários (e alguns tediosos) compromissos dessa época e com uma infinidade de mensagens “forçadas”, subliminares ou não, de união, paz, amor, fraternidade, família unida, casa cheia, mesa farta, abraços, sorrisos, etc, etc, etc. Em resumo, felicidade obrigatória ou nada feito! Se não se enquadrar no perfil do pinheirinho com luzinhas, tá fora.
Sinceramente, meu conceito de felicidade pode incluir um pouco disso tudo em momentos distintos (com exceção do pinheirinho e daquelas musiquinhas de Natal), mas não apenas no final do ano. Acredito que doses homeopáticas ao longo de todos os dias sejam mais promissoras do que a compra de uma “Noite Feliz”, encomendada a qualquer preço, que a maioria nem pode pagar.
Lamento informar, pessoal. Papai Noel não existe, e felicidade não se compra em supermercado e nem por emenda constitucional. Portanto, trate de ser feliz consigo mesmo, em atitudes e gestos, e esqueça o resto. Se em todos dias do ano houver um momento só seu, de autêntica felicidade ou satisfação, aí, sim, já terá valido a pena.
Por incrível que pareça, reforço esse pensamento depois de ler uma notícia curiosa sobre uma mulher que resolveu casar consigo mesma. E de véu e grinalda, com direito a festa e tudo. É sério! Nada mais sugestivo em tempos tão desesperadores. Casar consigo mesmo é uma linda metáfora da vida. A maneira como conduzimos nossa caminhada só depende de nós mesmos, sozinhos, sem depositar no outro qualquer expectativa ou obrigação de ser feliz.
Conviver bem consigo mesmo, antes de apostar em qualquer outro relacionamento, seja com marido, namorado, mãe, irmãos ou filhos, torna-se, na verdade, o único casamento viável. Talvez, a única saída para uma possível união com o outro, seja ele quem for. Felizes ou não, a vida será o que fizermos dela, no casamento que tivermos conosco, comunhão do que se é realmente com o que temos de melhor e pior.
Nada de felicidade obrigatória, nem luzinhas piscantes, muito menos sorrisos amarelos. A vida é para ser brindada todos os dias, como ela se apresenta, com todas as suas alegrias e mazelas, casamento eterno com o que somos, indissolúvel até a morte. Mesmo sem a comoção que toma conta da maioria nesta época do ano, desejo a todos que encontrem em si mesmos o seu par ideal para seguirem plenos em direção ao outro. E que as mensagens de paz, amor, união e fraternidade possam estar presentes em todos os momentos, gestos e atitudes do ano, e não apenas nos dias que antecedem o Natal. Esqueçam as luzinhas e brilhem por si próprios. Feliz Natal e um ano novo repleto de coisas boas a todos!
Roseli Santos
Jornalista
Esta postagem foi publicada em 17 de dezembro de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.


