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“O silêncio protege o agressor, a informação protege a criança”: psicóloga alerta sobre o abuso infantil

No dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, especialista destaca a importância da denúncia e da proteção de crianças e adolescentes
A denúncia é a arma mais poderosa, diz psicóloga (Foto: Unsplash)

O mês de maio é marcado pelo Maio Laranja, movimento que busca conscientizar a população sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A data central da campanha é o 18 de maio, instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil.

A repercussão do caso de Ramiro Gonzaga Barros, preso em Taquara preventivamente desde janeiro, trouxe uma nova urgência ao debate sobre o tema no Vale do Paranhana. O escândalo, considerado um dos maiores do país nesse tipo de crime, expôs a vulnerabilidade de crianças e adolescentes da região, reacendendo o alerta para os perigos do ambiente virtual e para a importância da educação preventiva, da escuta ativa e da denúncia.

Em entrevista, a psicóloga Fernanda Lanz destacou os desafios e urgências que cercam o tema. Para ela, a denúncia é um passo fundamental, mas ainda esbarra em obstáculos emocionais.

“Na mesma medida em que a gente sabe o quanto é importante falar sobre esse tema, eu também entendo o quanto é difícil, porque é um assunto muito tabu. Falar sobre sexualidade, sobre violência sexual, mexe com algo muito delicado para todos nós, inclusive enquanto adultos”.

Psicóloga Fernanda Lanz (Foto: Guilherme Kaiser/Rádio Taquara)

Segundo Fernanda, não é a ausência de canais de denúncia que impede a proteção das vítimas, mas sim a dor e o medo das famílias diante da exposição.

“Os canais existem. O Disque 100, por exemplo, é acessível. Mas muitas famílias se sentem fragilizadas, desorganizadas quando descobrem uma situação de abuso. Isso dificulta a denúncia e contribui para a subnotificação dos casos”.

A psicóloga ressalta que a educação sexual e a informação são armas poderosas de prevenção. Ensinar crianças e adolescentes a identificar situações de risco e a conhecer seus próprios corpos pode fazer a diferença entre o silêncio e a proteção.

“O silêncio protege o agressor. A informação protege a criança. A denúncia é difícil, mas é necessária. Quanto mais falarmos sobre isso, mais protegidas estarão as nossas crianças”.

Canais de denúncia

– Disque 100 (Disque Direitos Humanos): funciona 24h, inclusive aos finais de semana e feriados

– Delegacias Especializadas em Proteção à Criança e ao Adolescente

– Conselhos Tutelares

– Aplicativos e ouvidorias de governos estaduais e municipais