
Foto: Vinicius Linden / Rádio Taquara
Em reunião-almoço realizada nesta terça-feira (20), no ginásio do Esporte Clube Farroupilha, em Rolante, o vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, apresentou um amplo panorama das ações do governo estadual no Vale do Paranhana. Organizado pela Associação do Comércio, Indústria e de Serviços (Acisa) de Rolante e Riozinho e pela Associação Rolantense de Eventos (ARE), o evento reuniu autoridades municipais, empresários e lideranças locais.
Durante sua palestra, Gabriel Souza destacou que os avanços recentes em áreas como segurança, saúde, infraestrutura e assistência social só foram possíveis devido ao equilíbrio das contas públicas. “Quem não cumpre as contas, não cumpre as pessoas”, afirmou, relembrando a trajetória de ajuste fiscal iniciada no governo Sartori [José Ivo], intensificada no primeiro mandato de Eduardo Leite e aprofundada no atual governo.
Souza relatou que, ao longo de anos, o Estado vivenciou um cenário de insolvência, recorrendo a medidas como saques do Caixa Único — composto por mais de 300 contas bancárias de diferentes fundos — e de depósitos judiciais, inclusive privados. “O Estado sacava recursos de fundos que deveriam ser usados para pesquisa agrícola, por exemplo. Era uma quebra de confiança institucional”, explicou. Segundo ele, essas práticas foram encerradas e, atualmente, os recursos estão sendo devolvidos.
Outra conquista destacada foi o fim do déficit com hospitais e fornecedores. “O Estado hoje não deve nada ao hospital de Rolante. Estamos investindo, e não apenas regularizando”, disse. Ele também ressaltou que os salários dos servidores e o 13º estão em dia desde 2021, eliminando gastos de R$ 200 milhões anuais com juros de antecipação salarial.
Segurança pública: “O ano mais seguro da história”
O vice-governador destacou que 2024 já é considerado o ano mais seguro da história do Rio Grande do Sul, com expressiva queda nos principais indicadores criminais no Vale do Paranhana, entre 2018 e 2024:
- Roubo de veículos: -82%
- Furtos: -39%
- Roubos: -76%
- Latrocínios: -50%
- Abigeatos: -79%
- Roubos a pedestres: -33%
- Homicídios: -60%
Apesar dos avanços, ele reconheceu desafios, como o combate ao feminicídio, que continua sendo uma preocupação, especialmente por ocorrer, muitas vezes, dentro de ambientes domésticos.
Investimentos em resposta a desastres
Referindo-se às enchentes de 2024, Souza defendeu o modelo de repasse fundo a fundo como forma mais eficaz de resposta emergencial, citando que Rolante recebeu R$ 550 mil e o Vale do Paranhana, R$ 3,7 milhões. No programa de desassoreamento, foram destinados quase R$ 15 milhões à região, sendo R$ 2,9 milhões para Rolante. “Imaginem se a enchente tivesse nos atingido em tempos de desequilíbrio fiscal. Teria sido muito mais difícil responder à crise”, alertou.
Saúde: aumento de 117% no repasse ao hospital
No setor da saúde, o Hospital de Rolante recebeu R$ 2,4 milhões em investimentos. Destacam-se:
- R$ 750 mil para recuperação emergencial
- R$ 200 mil para leitos de retaguarda
- R$ 536 mil para reformas estruturais e modernização
Com a reestruturação do Programa Assistir, o hospital passou a receber recursos proporcionais à sua produção, resultando em um aumento de 117% no repasse anual — de R$ 1,6 milhão para R$ 3,5 milhões. “Hoje, quem produz mais, recebe mais. E Rolante está sendo reconhecido por sua entrega”, afirmou.
Habitação e assistência social
O programa habitacional “A Casa é Sua” contempla os seguintes dados para a região:
- Taquara: 10 moradias permanentes e 35 emergenciais
- Parobé: 25 permanentes e 100 emergenciais
- Rolante: 15 moradias (convênio já em andamento)
- Igrejinha: 50 unidades com recursos estaduais após desistência de empresa contratada
Já o programa “Volta por Cima” beneficiou mais de 2.200 famílias do Vale com auxílios de R$ 2.500, totalizando R$ 5,4 milhões. “O dinheiro foi depositado diretamente no Cartão Cidadão de cada família atingida, estimulando a economia local”, explicou Souza.
Educação: Agilidade e expansão do tempo integral
Entre 2019 e 2025, a região recebeu R$ 11,8 milhões em educação, através de programas como Agiliza Educação, Agiliza Eventos Climáticos e Obras Escolares. Souza explicou que o novo modelo permite que as próprias escolas contratem reformas e serviços, gerando economia e agilidade. Ele também ressaltou a expansão das escolas de ensino médio em tempo integral — de 18 unidades, em 2023, para 300 em 2025, com meta de atingir 600 até o final de 2025.
Infraestrutura e mobilidade
Em Rolante, a pavimentação da via que liga o centro à Rua Armando Balduíno Gutheil, no bairro Imocasa, está em andamento, com investimento de R$ 7,8 milhões (R$ 5,8 milhões do Estado e R$ 2 milhões da prefeitura). Além disso, foram anunciados R$ 200 milhões para a requalificação da ERS-020, entre Gravataí e Três Coroas.
Souza também comentou a importância de garantir acessos asfálticos aos municípios que ainda não possuem. “Não haverá mais cidade sem obra iniciada até o final do nosso mandato”, prometeu.
Desenvolvimento regional
O vice-prefeito de Rolante, Arthur Klein, solicitou atenção especial ao projeto “Caminho das Pipas”, que prevê mais de 20 km de pavimentação para estimular o turismo e a economia local. Ele também reforçou o pedido para incluir a ligação asfáltica entre Riozinho, Barra do Ouro e Maquiné no edital de concessão das rodovias estaduais, caso não seja possível realizar a obra com recursos próprios.

Foto: Vinicius Linden / Rádio Taquara
Projeções para o futuro
Finalizando sua apresentação, Gabriel Souza afirmou que o Estado está mais preparado para os desafios climáticos e econômicos. Ele citou o Plano Rio Grande, que organiza ações de preparação, resiliência e reconstrução, e o aumento da irrigação agrícola como prioridade frente às estiagens frequentes. “Apenas 4% da área plantada é irrigada. Precisamos mudar isso”, alertou.
Souza também destacou a instalação do maior distrito de data centers da América Latina em Eldorado do Sul, com investimento inicial de R$ 3 bilhões pela empresa Scala. “A inteligência artificial vai exigir estrutura física de alta capacidade. E o Rio Grande do Sul está se posicionando para ser protagonista”, afirmou.
Ele encerrou sua fala com uma reflexão sobre a pirâmide etária e a necessidade de investir em capital humano. “A população está envelhecendo e teremos menos jovens economicamente ativos. Precisamos preparar nossas crianças desde a primeira infância para serem mais produtivas e qualificadas.”
A iniciativa foi elogiada pelo presidente da ARE, Anderson Reichert, que agradeceu a descentralização dos investimentos e o compromisso demonstrado pelo governo com o interior do Estado.


