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Projeto Clipe Inclusivo traz música, visibilidade e protagonismo para a Apae de Três Coroas

Iniciativa transforma alunos em protagonistas por meio da música e da inclusão
(Fotos: André Amaral/Rádio Taquara)

O brilho no olhar dos alunos da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Três Coroas ganhou o mundo. O projeto Clipe Inclusivo, idealizado pelos professores Marcelo Dias e Júnior Tavares, ultrapassou os muros da instituição e conquistou as redes sociais, a comunidade e até os próprios artistas homenageados. A proposta, nascida em 2023, é simples na essência, mas poderosa no impacto: valorizar a expressão artística dos estudantes por meio da música, colocando-os no centro da criação.

A ideia começou com o videoclipe da música ‘Galera de Cowboy’, de Ana Castela. Depois vieram ‘A Pistoleira’, do Grupo Corpo e Alma, ‘Guardanapo’, do Rainha Musical, e ‘Nada Mudou’, da banda Os Federais. Em cada produção, os alunos atuam, interpretam, dançam e protagonizam cenas que refletem não apenas suas habilidades artísticas, mas também sua autonomia, criatividade e voz.

“O propósito maior do projeto surgiu da necessidade de compartilhar um pouco do que é a Apae, de dentro para fora”, explica Marcelo. “A sociedade ainda tem muito preconceito, muitas vezes por não conhecer a realidade apaiana. Então, a ideia era mostrar a potencialidade de cada aluno e tudo aquilo que eles conseguem desenvolver”, conta Marcelo.

A iniciativa cresceu dentro da própria rotina da escola, onde os alunos, já acostumados com redes sociais, demonstravam interesse por conteúdos audiovisuais. “Muitas vezes eles chegavam na escola pedindo para ver vídeos no YouTube. Aí surgiu a necessidade de criar um projeto em que eles fossem os protagonistas. Que pudessem olhar na TV e se ver no clipe”, conta Marcelo.

O processo criativo é conduzido com responsabilidade e envolvimento coletivo. Júnior relata que a escolha das músicas parte de uma curadoria cuidadosa, respeitando o contexto dos alunos. “A gente analisa letra por letra, escolhe com atenção, porque precisamos zelar pela integridade deles. Depois selecionamos quem vai cantar, quem vai interpretar, quem entra como músico ou ator”, acrescenta o professor.

Além da produção artística, os alunos participam das decisões. “Muitas vezes escutamos as músicas juntos, ouvimos a opinião deles. Isso os torna ainda mais participativos. E o resultado é esse sucesso todo que está acontecendo”, celebra Júnior, conhecido entre os alunos como “Juninho”.

Um marco recente foi a visita surpresa da banda Corpo e Alma, no dia 9 de maio, horas antes do show do grupo no Três Coroas em Festa. Foi a terceira música da banda que os alunos transformaram em clipe [confira abaixo], e o reconhecimento veio em forma de presença. “Eles já conheciam nosso trabalho e decidiram fazer essa surpresa. Não contamos para os alunos. Quando eles chegaram, acabou sendo um dia muito especial, sem explicação”, lembra Marcelo.

Autoestima em alta

As redes sociais amplificaram esse movimento. O TikTok do projeto, ativado recentemente, já soma quase 5 mil seguidores e vídeos com mais de 100 mil visualizações. No Instagram, um dos clipes passou das 300 mil visualizações.

“É maravilhoso. O TikTok fura bolha, sai do contexto regional e atinge o Brasil inteiro. E os comentários são extremamente positivos. Eu sempre digo para eles: vocês têm fãs agora”, conta Júnior.

Turma reunida

Mais do que curtidas ou seguidores, o Clipe Inclusivo, destacam os professores, vem cumprindo seu papel essencial: fortalecer a autoestima dos estudantes, incentivá-los como cidadãos ativos e promover avanços significativos na comunicação.

“Três Coroas abraçou a causa. As pessoas os reconhecem na rua, querem mais. O que queremos é isso: que eles sejam vistos. Em outra situação, talvez isso não acontecesse. Mas agora, graças às redes sociais, temos um megafone para mostrar ao mundo o que eles podem fazer”, afirma Marcelo.

Emoção com a visita de artistas

A visita surpresa da banda Corpo e Alma à Apae foi um momento de forte emoção para os alunos. Sem aviso prévio, os músicos chegaram em meio às atividades e deixaram corações acelerados. Especialmente o de Patrick Fernando de Mattos, de 31 anos, que descreveu a experiência com entusiasmo e gratidão.

“Olha, pra mim foi uma surpresa enorme. Quando eles chegaram, o coração disparou. Ainda mais com a nossa turma toda ali”, contou Patrick.

O aluno também fez questão de valorizar os ensaios e o trabalho dos professores envolvidos no projeto:

“Eu devo tudo ao Juninho e ao Marcelo. Eles fazem os projetos que a gente quer, pra fazer mais clipes, mais coisas que a gente pode realizar”.

Sobre o futuro, ele foi direto:

“Nós vamos continuar ensaiando até quando Deus quiser, com certeza. A gente tá aqui pra isso”.

Carlos Alberto Volkart Júnior, de 42 anos, conta com orgulho da rotina de ensaios na Apae, que acontecem todas as terças-feiras, antes do recreio. Ele participou das gravações dos videoclipes e se divertiu com as danças em dupla. A surpresa maior, no entanto, foi a visita dos artistas:

“Ninguém sabia. Foi bom demais”.

Com carinho, ele fala também da relação com os professores:

“A gente dá risada com eles. É muito divertido”.