
As “guerrinhas de mamonas” fizeram parte da infância de muita gente. Atirar as bolinhas (e acertar) nos colegas era motivo de gargalhadas. O que não se sabia era que a planta apresentava um perigo.
A Ricinus communis é africana, mas foi espalhada pelo Mundo por causa do óleo de mamona, utilizado na indústria de roupas e cosméticos. No Brasil, ela apresenta um risco à fauna, à flora e, por consequência, ao ser humano.

Com as enchentes de 2024, muitas partes verdes de Três Coroas, aqui no Vale do Paranhana, foram devastadas, dando lugar à espécie. A Mamona cresce e “sufoca” as demais, que possuem função ecológica. “Ela possui uma resina em sua semente que é prejudicial às plantas e animais”, comenta Heitor Mattos, três-coroense e estudante de biologia.
Além disso, a planta é quase um “javali verde”. Ela se espalha rápido e não deixa outras desenvolverem-se. “Quando a gente teve essa enchente de maio de 2024, toda a área que foi devastada e desassoreada pelas prefeituras, formando os ‘corredores de pedra’, tornou-se um local ideal para a Mamona crescer, pois ela não depende de fatores ambientais muito específicos“, explica Heitor.

A solução não é simples. Passa por ações em conjunto da iniciativa privada e poder público, conscientização e políticas públicas ambientais. Todas bandeiras levantadas pelo estudante.
Como solucionar o problema?
Heitor coordena ações para solucionar a problemática. Entre elas, trabalha a conscientização da população pelo perfil no Instagram @greenplacetc. “Eu costumo fazer posts de educação ambiental, nos quais exploro alguns assuntos que vejo aqui na cidade de Três Coroas. A Mamona foi um que eu achei pertinente trazer”, diz ele.

Segundo o estudante, para resolver de forma efetiva a questão, é necessário um mapeamento das áreas com maior concentração da espécie e uma ação conjunta. “Teria que se fazer a remoção manual. Conscientizar as pessoas para ações comunitárias de limpeza desses espaços”, comenta Heitor.
Além da remoção, será necessário um trabalho de reflorestamento. Mattos, ao lado de outros voluntários, coordena o Reflora Paranhana. O projeto já plantou 800 mudas nativas em áreas de recuperação ambiental e pretende aumentar o número para 18 mil, com auxílio de entidades, empresas e poder público. “A gente faz mutirões de plantio, limpeza do local e remoção das Mamonas. Temos uma manutenção pós plantio também, removendo as Mamonas sempre que elas retornam a crescer”, explica o estudante.


As iniciativas para solucionar o problema ambiental trabalham questões a longo prazo. Voluntários e ativistas da causa são sempre bem-vindos em ações para remoção da espécie estrangeira, limpeza e plantio de árvores nativas, principalmente em áreas ciliares ao Rio Paranhana. “Conscientizem-se sobre o assunto do meio ambiente e acompanhem o Reflora e o Green Place nas redes sociais”, conclui Heitor, com o apelo.



