
Na noite de segunda-feira (28), foi realizada na Sociedade União de Cantores de Igrejinha (Suci) a assembleia de fundação da Associação Amigos do Hunsrück. O encontro reuniu autoridades, membros da comunidade e descendentes de imigrantes alemães com o objetivo de formalizar a criação da entidade que deve fomentar o resgate e a valorização do patrimônio germânico na região.
A nova associação nasce com personalidade jurídica própria e CNPJ, o que permitirá viabilizar projetos e parcerias voltadas à preservação da cultura alemã em Igrejinha e arredores. Segundo Clóvis Werb, presidente da comissão municipal de irmanação com a cidade de Simmern, na Alemanha, o objetivo é claro: manter viva a herança deixada pelos imigrantes há mais de dois séculos.
“A finalidade é fomentar todas as relações materiais e imateriais ligadas à cultura alemã. Estamos celebrando os 201 anos da imigração, e essa associação é um passo essencial para conectar passado e futuro”, destacou Werb, lembrando ainda da importância de preparar as novas gerações para experiências como o intercâmbio cultural com cidades alemãs.
Embora o ensino do dialeto Hunsrückisch em escolas não esteja previsto, devido à ausência de uma padronização escrita, a iniciativa contempla o ensino do idioma alemão padrão, já em andamento em uma escola municipal, em parceria com o Comudica (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente), a Secretaria de Educação e a Amifest (Associação de Amigos da Oktoberfest de Igrejinha).
“Quem aprendeu com os antepassados ainda conserva esse patrimônio cultural imaterial, e somos talvez a última geração que ainda consegue conversar em Hunsrückisch. Mas nosso foco atual é preparar os jovens para que futuramente possam fazer intercâmbio em cidades da Alemanha, o que exige o domínio do idioma alemão padrão”, explicou Werb.
Durante o encontro, também foi lembrada a importância da obra ‘A saga dos alemães: do Hunsrück para Santa Maria do Mundo Novo‘, do escritor e empresário Erni Engelmann, como pilar na reconstrução histórica da presença germânica no Vale do Paranhana.
O prefeito Leandro Horlle participou do ato e reforçou o papel da comunidade na preservação cultural.
“Mostramos aqui que queremos viver com as pessoas, nos reconectar com nossos antepassados e com nossos descendentes. Hoje o mundo é próximo, e temos que usar essa proximidade para fortalecer ainda mais esses laços. O poder público tem muitos temas para lidar, e essa associação será fundamental para pensar integralmente a questão da irmanação com Simmern”, afirmou.

“Parabéns a nós, igrejinhenses. Mais uma vez damos um passo importante na nossa reconexão com os nossos queridos amigos da Alemanha”.
O que é o dialeto Hunsrückisch?
O Hunsrückisch é um dialeto de origem alemã, derivado do alemão falado na região de Hunsrück, no sudoeste da Alemanha. Foi trazido ao Brasil por imigrantes que chegaram ao Rio Grande do Sul a partir de 1824.
Oralidade predominante
Trata-se de uma língua majoritariamente falada, sem padronização escrita ampla, o que dificulta seu ensino formal em escolas.
Preservação familiar
O conhecimento do dialeto é transmitido de forma oral entre gerações, especialmente em comunidades do interior do estado.
Reconhecimento cultural
Em 2012, o Hunsrückisch foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul.
Risco de desaparecimento
Com a diminuição no número de falantes, especialmente entre os jovens, o dialeto é hoje considerado uma herança ameaçada, o que motiva esforços de preservação por meio de iniciativas culturais e comunitárias.


