
O Brasil perdeu na madrugada deste sábado (30) um dos seus maiores escritores: Luis Fernando Verissimo, que morreu aos 88 anos em Porto Alegre, vítima de complicações de uma pneumonia. Ele estava internado há cerca de três semanas na UTI do Hospital Moinhos de Vento.
Filho de Érico Verissimo, nascido na capital gaúcha no dia 26 de setembro de 1936, Luis Fernando construiu uma trajetória literária independente e multifacetada. Foi escritor, cronista, humorista, cartunista, tradutor, roteirista, dramaturgo, publicitário, revisor e também músico. Apaixonado pelo jazz e fã de Louis Armstrong, era saxofonista.
Um mestre do humor e da crônica
Autor de mais de 80 livros, conquistou gerações de leitores com seu estilo leve, irônico e profundamente brasileiro. Entre suas obras mais marcantes estão O Analista de Bagé (1981), cujo lançamento esgotou em uma semana, e a série de histórias do detetive atrapalhado Ed Mort, criado em 1979 como uma paródia dos clássicos romances policiais americanos e levado para quadrinhos, cinema e televisão.
Seu nome também se consagrou com Comédias da Vida Privada, coletânea de crônicas publicada em 1994 que se transformou em um dos programas de maior sucesso da TV brasileira na década de 1990.
Além da prosa, Verissimo deixou marca nos quadrinhos. Criou, em parceria com o cartunista Luis Fernando Cretella, a série As Cobras, que unia humor filosófico e ironia social. Também assinou as tirinhas da Família Brasil, retrato bem-humorado e crítico da classe média, publicadas em jornais de grande circulação em todo o país.
Saúde frágil nos últimos anos
Nos últimos anos, Verissimo enfrentava problemas de saúde. Convivia com Parkinson e doenças cardíacas, precisou implantar um marca-passo em 2016 e sofreu um AVC em 2021, que deixou sequelas motoras e de comunicação.


