
Localizada na rua Júlio de Castilhos, a sede da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) de Taquara carrega diversas histórias em nove décadas de existência. Fundada em 1935, a construção é rodeada por palmeiras, combinando sua cor salmão com o céu azul.
Para compreender todos os elementos históricos, contamos com o auxílio do pastor Charles Werlich, responsável pela IECLB no município. Ele guiou a equipe da Rádio Taquara por cada parte do edifício, narrando os principais marcos da ‘Igreja da Paz’.
A Comunidade Evangélica de Confissão Luterana foi formada antes mesmo da constituição de um prédio para a realização dos cultos. Segundo o líder religioso, há registos de que os primeiros batismos foram realizados em 1854. “Os pastores, em sua maioria, vinham da Alemanha. Poucos falavam português“, conta.
Em 1874, o primeiro templo é erguido, no atual terreno, doado por Tristão Monteiro, ainda sem sinos ou torre, elementos proibidos no Brasil Império. Em 1888, prevendo a chegada da República, os fiéis ergueram uma torre, com os três sinos, ainda presentes no edifício atual.
Segundo documentos históricos, as três peças foram doadas pelo governo alemão. O país teria capturado canhões franceses na guerra Franco-prussiana (1870 – 1871), derretido o ferro e moldado os sinos, enviando-os ao Brasil. “A gente costuma fazer uma reflexão em torno disso: sinos fundidos de canhões. Canhões que antes serviram à guerra, agora estão sendo usados para chamar pessoas à Vida“, reflete Charles.


Em 1935, o atual edifício foi erguido. Em função dos atritos da 1ª Guerra Mundial e do preconceito linguístico, a comunidade foi proibida de expressar sua fé em alemão. Algumas placas e livros no idioma precisaram ser escondidos.
Apesar da censura, a igreja foi se fortalecendo. “A história da fé cristã sempre foi assim: superar etapas. Isso torna as comunidades muito resilientes, pois elas aprendem a se unir“, comenta o pastor.

Em entrevista à Rádio Taquara, o líder religioso mostrou e explicou a atual configuração do templo. Os relógios, instalados em 1944 fazem marcações sonoras a cada 15 minutos. Até mesmo os vitrais possuem um significado, reforçando a espiritualidade de quem frequenta os cultos. “Um simboliza Jesus Cristo batendo à porta, querendo entrar. O vitral central fala da crucificação e o outro retrata a parábola do semeador“, explica Werlich.


Para finalizar o tour pela construção histórica, o pastor nos levou até o mezanino. O local proporciona uma vista ampla de toda a igreja. Contudo, o que mais chama a atenção não é a vista panorâmica, e sim um órgão de mais de 100 anos, tocado durante os cultos da catedral. O pastor fez questão de citar que a liturgia do culto recebe, frequentemente, a apresentação do instrumento centenário.

O aniversário do segundo prédio da instituição é comemorado oficialmente em 8 de setembro, mas a comunidade fará as celebrações no domingo (31), reforçando o compromisso com o cuidado do edifício histórico.





