Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 7 de janeiro de 2011 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Minha bandeira pela praça

Como cidadã taquarense e leitora do Panorama, não pude deixar de conferir a reportagem que tratava sobre a remoção do camelódromo da Praça da Bandeira, no final de 2010. E, como moradora de um prédio em frente ao local, não posso deixar de expressar minha opinião.
É absurdo que o projeto não tenha sido aprovado devido à vontade dos camelôs. Tenho certeza de que os vereadores que votaram contra a mudança moram bem longe do camelódromo e não têm ideia do que ali se esconde, não imaginam a degradação que ele traz à praça e não sabem o que é conviver com esse transtorno. Entendo que os vereadores tentaram ajudar, mas, sabendo que jamais poderemos agradar a todas as partes, é preferível agradarmos a poucos comerciantes ou a todas as pessoas que vivem e circulam ao redor do camelódromo?
Perdoem-me a franqueza, mas é inconcebível que, acima da comodidade de um município, esteja a vontade de pessoas que comercializam, na sua maioria, produtos ilegais. Além disso, os camelôs seriam transferidos para um local muito mais cômodo, organizado, amplo e seguro – e eu realmente duvido que eles não queiram isso. A única razão dessa vontade de permanecerem ali é que sua instalação é gratuita e, em outro lugar, eles precisariam pagar aluguel.
Raciocinem comigo: o camelódromo encobre o uso de drogas, põe em risco a segurança dos transeuntes, que devem circular no meio da rua, uma vez que a calçada está ocupada pelas bancas, põe em risco a saúde dos próprios camelôs, já que a higiene do local é precária, e ainda é um empecilho ao projeto de revitalização da praça, que não poderá tornar a ser bela, segura e limpa, se o camelódromo continuar ali. Sendo assim, peço sinceramente, que, se alguém souber de um ponto positivo, por favor, me avise, pois, em 14 anos morando em frente à praça, eu não pude encontrar nenhum.
Quero que as pessoas que influem diretamente nas decisões do legislativo municipal se coloquem no lugar dos cidadãos antes de fazerem suas escolhas. Eu acredito que, se fosse parte daquele Poder, antes de tomar decisões desse porte, conversaria com o povo o qual eu represento, falaria com as pessoas cuja vida sofrerá mudanças com a ação e saberia a sua opinião. Não conversaria apenas com os camelôs, mas com quem vive ao redor deles, porque eu teria em mente que, dentro da Câmara ou da Prefeitura, eu não seria eu, muito menos um grupo. Eu seria uma cidade inteira – e é a favor dela, ou pelo menos de sua maioria, que eu deveria decidir.
Eduarda Neves
– Estudante –

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