Vou resistir: não irei falar novamente sobre Mark Zuckerberg, fundador do Facebook (assunto abordado na última coluna), que acabou de ser escolhido pela revista Time como personalidade do ano “por conectar mais de meio bilhão de pessoas, e por alterar a forma como todos nós vivemos”. Tão pouco irei comentar que o Facebook acaba de ser avaliado como uma empresa de US$ 50 bilhões, mais valorizada do que gigantes como a fabricante de aviões Boeing por exemplo. Pronto, resisti.
Então vamos ao assunto desta semana: que dor de cabeça para os governantes tem causado o site WikiLeaks e seu respectivo diretor, Julian Assange (não por acaso, citado como forte concorrente de Zuckerberg ao título de personalidade da Time)! As informações vazadas pelo site agitam o mundo. Para os EUA, o embaraço não podia ser maior. Vejamos alguns adjetivos pelos quais algumas autoridades internacionais são citados pela “diplomocia” americana:
* Nicolas Sarkozy, presidente da França, “o autoritário”
* Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, “o machista”
* Angela Merkel, chanceler da Alemanha, “avessa a riscos”
Além desses comentários quase engraçados, há muitas negociações perversas sendo reveladas, tais como reuniões privadas dos EUA e Comissão Europeia a fim de controlarem as tratativas na Cúpula do Clima de 2009. Espionagens de altos integrantes da ONU (inclusive de seu presidente) também foram reveladas.
O Brasil é citado várias vezes. Por exemplo, a diplomacia americana vê com preocupação a relação entre Brasil e França, classificando-a de “festa do amor”. A briga aí é sobre a questão da preferência do governo brasileiro pela compra de aviões franceses em detrimento de americanos.
O WikiLeaks criou um sistema muito seguro para que pessoas possam enviar notícias anonimamente, e assim elas são obtidas. Jornalistas e ativistas de vários lugares do mundo colaboram com o site. Esta é a ideia por trás do “Wiki”, expressão utilizada na informática para algo que é feito de forma colaborativa (tal como a Wikipédia). “Leaks”, em inglês, significa “vazamento”.
A pressão sobre Assange é enorme. Dois dias após o site ter publicado os telegramas secretos dos EUA, a Interpol distribuiu uma ordem internacional de prisão. Isso porque duas mulheres suecas denunciaram Assange por violência sexual. Assange nega veementemente as acusações.
A pergunta é: governantes têm direito de manter informações escondidas da sua própria nação? Quem decide o que deve ou não ser divulgado? Existem pessoas com mais ou menos “regalias” sobre informações de governo? Essas são interrogações para as quais o WikiLeaks parece ter sua própria resposta: a informação governamental, seja qual for, deve ser de todos!


