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Ex-diretor do Hospital de Rolante atribui saída a pressões políticas e contesta “narrativa sobre crise financeira”

Luiz Genaro Ladereche Figoli afirma que decisão de seu afastamento foi da Fundação Hospitalar, sem justificativa pública, e questiona ingerência da prefeitura

Em entrevista concedida à Rádio Taquara nesta quarta-feira (17), o ex-diretor da Fundação Hospitalar de Rolante, Luiz Genaro Ladereche Figoli, atribuiu sua saída da gestão da instituição a pressões políticas e negou que a decisão tenha sido motivada por dificuldades financeiras. Genaro, que esteve à frente do hospital desde 2021, classificou como “abrupta” a sua exoneração e disse que a Fundação não apresentou publicamente os motivos da rescisão contratual.

Segundo ele, o desligamento foi oficializado por um documento assinado pela direção da Fundação e conselheiros, no qual se menciona que a relação contratual foi encerrada “em razão da pressão social resultante da postura adotada em situações de cunho partidário”. Genaro contestou a justificativa, afirmando que a gestão foi marcada por articulação política que resultou em avanços estruturais, tecnológicos e financeiros no hospital.

“Foi uma decisão política, e não financeira. Tenho plena convicção disso”, declarou Genaro. Ele mencionou que, durante sua gestão, foram realizadas duas reformas no hospital, incluindo a recuperação após a inundação nas enchentes de 2024, além da aquisição de equipamentos como tomógrafo, mamógrafo e torre de vídeo. Também destacou a obtenção de habilitações junto ao Estado e a captação de cerca de R$ 9 milhões em recursos externos.

Em resposta à nota publicada pelo prefeito de Rolante, Alceu Trevizani da Rosa, que indicava agravamento da situação financeira e contas bloqueadas da instituição, Genaro explicou que o bloqueio das contas foi pontual e causado por uma dívida previdenciária histórica com a Receita Federal. Segundo ele, a situação foi judicialmente resolvida dias após seu afastamento e os salários dos funcionários foram pagos com apenas dois dias de atraso. Genaro enfatizou que, em sua gestão, nunca ocorreu atraso em pagamento dos funcionários, e mencionou que a situação dessa vez só ocorreu porque o bloqueio judicial teria sido feito no mesmo dia do pagamento. Reforçou, ainda, que a dívida com a União é renegociada há vários anos no processo judicial.

O ex-diretor criticou a atuação do prefeito no episódio, afirmando que houve uma “intromissão indevida” na Fundação, que é uma entidade privada. Disse ainda que desde o início do ano notou uma “indisposição” pessoal do chefe do Executivo municipal em se reunir com ele, o que teria contribuído para o desgaste da relação. Genaro também mencionou divergências quanto ao contrato entre a Fundação e a prefeitura para o serviço de pronto-atendimento 24 horas, afirmando que pressionava por um reajuste para evitar prejuízos à instituição, o que, segundo ele, pode ter sido mais um fator de atrito.

Ao final da entrevista, Genaro agradeceu à comunidade de Rolante pelo apoio e disse que espera que o hospital mantenha os avanços conquistados durante sua gestão. A Fundação Hospitalar de Rolante ainda não se manifestou oficialmente sobre os motivos da saída do ex-diretor.