
Anunciado há quase três semanas, o projeto de concessões de rodovias gaúchas para o chamado Bloco 1, que inclui as rodovias que cruzam o Vale do Paranhana, será alvo de manifestações públicas em dois momentos na próxima semana. Além de organizar um ato de protesto a ser realizado às margens da ERS-239, lideranças regionais também se preparam para demonstrar sua contrariedade à proposta, causada principalmente por conta dos novos pedágios previstos.
Apresentado pelo governador Eduardo Leite em 28 de outubro, o projeto prevê a concessão de rodovias do Bloco 1 e a instalação de pórticos de pedágio nas estradas ERS-020, ERS-115, ERS-239 e ERS-474, além da construção da ERS-010, uma nova rodovia ligando a BR-290 (Freeway) com as cidades de Sapiranga e Campo Bom. Esta via vem sendo planejada há pelos menos duas décadas e serviria como alternativa de acesso entre as regiões do Paranhana e Vale do Sinos com a capital do Estado.
O projeto inclui também a duplicação de vários trechos que atualmente ainda estão em pista simples, como na ERS-239 entre Taquara e Rolante e a ERS-020 entre Cachoeirinha e Taquara. Além disso, são projetadas as duplicações das extensões totais da ERS-115, entre Taquara e Gramado, e da ERS-474, de Rolante a Santo Antônio da Patrulha.
Apesar de todas estas melhorias anunciadas, o que vem desagradando as lideranças do Paranhana é o número de novos pedágios previstos, que chegariam a um total de 12 praças de cobrança, no sistema automático free flow, com a instalação de pórticos sem cancela. Por considerarem que isto ocasionaria um grande aumento nos custos de transporte, além de discordarem dos pontos de localização dos novos pedágios, os prefeitos que compõem a Associação dos Municípios do Vale do Paranhana (AMPARA), se reuniram e firmaram acordo contra o projeto
Segundo a entidade, o modelo proposto, que adota o sistema de pedágio free flow com tarifa de R$ 0,21 por quilômetro rodado, trará prejuízos à indústria, ao comércio, ao turismo e à população que depende diariamente das rodovias da região. A associação afirma que o impacto econômico e social será expressivo, especialmente para trabalhadores que circulam entre os municípios vizinhos.
A AMPARA também questiona a ausência de cobrança no trecho da ERS-118 que atravessa Sapucaia do Sul, Gravataí e Viamão, alegando que a conta será paga apenas pelas regiões do Vale do Paranhana, Vale dos Sinos e Serra. Outro ponto destacado é o uso de R$ 1,5 bilhão do Fundo Estadual de Gestão de Calamidades (FUNRIGS) para obras previstas no projeto. A associação considera incoerente empregar recursos públicos e, ao mesmo tempo, cobrar diariamente da população pelo uso das rodovias beneficiadas pelas intervenções.
Diante disto, a entidade divulgou nota solicitando ao governo estadual maior transparência e detalhamento sobre os custos operacionais, valores das obras, manutenção das estradas e fluxo de veículos. Os prefeitos afirmam que o Vale do Paranhana ainda enfrenta dificuldades em razão das enchentes recentes e defendem que os investimentos nas rodovias da região sejam realizados integralmente com recursos do FUNRIGS.
Além dos prefeitos, também vereadores da região estiveram reunidos e os legislativos do Paranhana elaboraram moção de apoio a uma tentativa feita por deputados estaduais de mudar a lei que permite ao Governo Estadual fazer as concessões sem necessidade de autorização parlamentar. Desta forma, contando com apoio de outras lideranças comunitárias, prefeitos e vereadores estão convidando a população a comparecer na Audiência Pública que será realizada na próxima terça-feira (18), às 14h30, na Faccat, quando o Governo do Estado pretende ouvir a comunidade sobre o tema.
A AMPARA também está convocando a comunidade a participar de uma manifestação contra o projeto no dia 20 de novembro, feriado nacional, às 9h30, na ERS-239, em frente ao antigo supermercado Nacional, em Taquara. De lá, sairá uma caminhada pacífica representando a união do Vale do Paranhana contra a nova cobrança de pedágios.


