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Em audiência pública, lideranças e moradores da região reforçam contrariedade aos pedágios

Autoridades do Vale do Paranhana manifestaram insatisfação com o modelo proposto pelo Governo do Estado no bloco 1 de rodovias.
Fotos: Guilherme Kaiser / Rádio Taquara

Na tarde desta terça-feira (18), ocorreu no campus das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat) uma audiência pública convocada pelo governo estadual para apresentar e debater com a população do Vale do Paranhana o projeto de concessão das rodovias do Bloco 1, que inclui duplicações, melhorias e a previsão de novas praças de pedágio em estradas da região. A proposta tem gerado forte reação contrária de prefeitos, lideranças locais e moradores.

Durante o evento, o secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, destacou os investimentos previstos. “Estamos falando de R$ 6,4 bilhões em investimentos, 213 quilômetros de duplicações e melhorias que vão trazer dinamismo à região, gerar emprego e renda”, afirmou. Segundo ele, a audiência é parte do processo de aprimoramento do projeto e uma oportunidade para ouvir a população.

Apesar da justificativa do governo, as manifestações durante a audiência evidenciaram grande insatisfação das lideranças regionais, especialmente quanto ao número de pedágios previstos, os valores das tarifas e a forma de distribuição dos investimentos.

A prefeita de Taquara, Sirlei Silveira, foi enfática ao criticar o projeto: “Estamos bem insatisfeitos. Serão pedágios a cada seis quilômetros, o que inviabiliza economicamente os deslocamentos entre as cidades. Isso onera trabalhadores e estudantes que se movimentam diariamente pela região.”

O prefeito de Igrejinha, Leandro Horlle, também se manifestou contrário à proposta, apontando a desproporção entre o investimento local e os custos para a população: “A tarifa sugerida é de R$ 0,21 por quilômetro, mais alta do que projetos anteriores. A ERS-118, que tem grande movimento, foi excluída. Não é justo que o Vale do Paranhana pague por obras em outras regiões.”

Já o prefeito de Parobé, Gilberto Gomes, alertou para os impactos econômicos: “As empresas vão repassar esses custos ao consumidor. Só na ERS-239 estão previstos cinco pedágios e uma arrecadação de R$ 1,8 bilhão em 30 anos, mas os investimentos em Parobé são mínimos.”

O prefeito de Riozinho, Airton Trevizani da Rosa, reforçou o apoio às obras, mas criticou o modelo adotado. “Queremos progresso, mas somos contrários a tantos pedágios e à exclusão da ERS-118. Também defendemos a inclusão da duplicação da ERS-239 até Barra do Ouro no projeto.”

Alceu Trevizani, prefeito de Rolante, também se posicionou favorável às obras, mas contrário à quantidade de praças de cobrança. “Temos que chegar a um meio-termo. As obras são importantes, mas não aceitaremos essa quantidade de pedágios.”

Por fim, o prefeito de Três Coroas, Fabiel Port, destacou o impacto na indústria local. “Os novos pedágios vão onerar a matéria-prima e os produtos da nossa indústria, comércio e serviços. Estamos aqui para manifestar nosso não a esse modelo.”

A audiência pública foi um dos momentos em que a comunidade regional demonstrou sua contrariedade ao projeto. As ações terão continuidade com com um protesto organizado para a próxima quinta-feira (20), na ERS-239, em Taquara, a partir das 9h30min, com concentração em frente ao antigo Supermercado Nacional.

Após a apresentação do projeto pelo secretário estadual, foi aberto o microfone para manifestações de representantes dos moradores do Paranhana, incluindo lideranças políticas e comunitárias. Em alguns momentos, houve até declarações exaltadas, criticando não apenas o projeto, mas também o governador Eduardo Leite e o próprio secretário de Reconstrução.

Ao final, Pedro Capeluppi respondeu apenas um dos pontos colocados pelas lideranças, em que era comparada a arrecadação prevista com a atual obtida através do pedágio de Campo Bom. Segundo o secretário, o projeto do bloco define que todos os recursos arrecadados nas futuras praças de cobrança devem ser utilizados de forma conjunta em todas as estradas incluídas. Quanto aos demais pontos questionados, Capeluppi garantiu que as respostas serão dadas através do site https://parcerias.rs.gov.br.