
O piloto taquarense Bruno Foscarini encerrou a temporada 2025 no topo do Campeonato Gaúcho de Rally de Velocidade. No sábado (29), ao lado do navegador Felipe Costa, ele venceu a etapa de Marcelino Ramos/Viadutos e garantiu o título da categoria Rally 4 (4×2).
A última prova do campeonato ocorreu sob forte calor e muita poeira, reunindo quase 20 carros na disputa decisiva. Após mais de uma hora de trechos cronometrados em estradas de terra, a dupla confirmou o melhor tempo e fechou a temporada com vitória.
Aos 36 anos, Bruno, agora tetra campeão da categoria — após conquistar três títulos ao lado do pai, Paulo Foscarini, aposentado das provas desde 2016 — lembra que sua trajetória no esporte começou cedo.
“Eu sou competidor de rally desde 2004, e fui navegador do meu pai por 9 anos. Em 2024, após uma série de acidentes enquanto navegador para outro piloto, decidi virar piloto e tentar a sorte”, relatou.

Ele explica que o Rally de Velocidade é uma modalidade em que vence quem somar o menor tempo nos trechos cronometrados. As categorias variam de acordo com a motorização dos carros: Rally 4 (carros 4×2 preparados), Rally 5 (4×2 originais turbo), Rally 5 Light (4×2 originais aspirados) e Rally 2 (carros 4×4).
Sobre a categoria em que compete, Bruno detalha os desafios enfrentados ao volante: “A categoria Rally 4 proporciona você alterar características de motor e câmbio, mas para o carro ficar confiável não é adequado mexer muito, pois o rally é o esporte a motor mais exigente para o carro, devido aos saltos, pedras, buracos e a alta velocidade.”
Para facilitar a compreensão, ele compara a dinâmica da prova com algo conhecido na região.
“Para fazer uma analogia a algo conhecido, ali no TAC (extinta pista do Taquara Automóvel Clube) tínhamos corridas de veloterra. Imagine competir ali somente nas tomadas de tempo, um carro por vez. A pista nunca é arrumada, pode ter todo tipo de obstáculo. Vence aquele que acumular o menor tempo em cada volta. Só que o rally não é em pista, é em estrada. Então temos trechos de 5 km até 30 km de distância. Esse é o motivo de levarmos um navegador, pois é impossível decorar todas as curvas da estrada”, explica.

A temporada 2025 contou com seis provas: Nova Prata, Estação, Erechim, Ipiranga do Sul, Severiano de Almeida e Marcelino Ramos. A dupla enfrentou dificuldades e abandonos em Nova Prata, Erechim e Severiano de Almeida, mas conquistou vitórias decisivas em Estação, Ipiranga do Sul e Marcelino Ramos, resultados que garantiram o título.
Mesmo diante de concorrentes com estrutura superior, Bruno e Felipe se destacaram.
“Nosso principal concorrente é de Florianópolis, tem um Renault Clio de fábrica com 240 cv, câmbio sequencial. Uma potência de carro. Nosso carro é um Gol bolinha 1998, o mesmo carro com o qual eu e meu pai corríamos, com 125 cv e câmbio H”, resume o piloto.
Sobre os planos para a próxima temporada, Bruno antecipa que 2026 será um ano de renovação e metas ambiciosas. Ele explica que a equipe deverá trocar de carro.
“Ano que vem precisamos trocar de carro. A ideia é usar um carro mais novo, além de adicionar potência e confiabilidade”, revela.
Além disso, conta que agora conta com uma equipe profissional de marketing e com um projeto aprovado na Lei de Incentivo ao Esporte para captação de recursos. Com essa nova estrutura, a meta é clara: disputar e buscar tanto o título gaúcho quanto o brasileiro de rally em 2026.

A sensação de acelerar no limite
Bruno, que também é tetra campeão brasileiro, descreve a intensidade de pilotar em condições tão extremas, numa velocidade que chega a 150km/h.
“O rally é o esporte a motor que mais força o carro, são condições extremas. Imagine que na pista você tem um piso feito para correr, para não forçar muito a suspensão, para as freadas serem em linha reta. No rally você freia onde dá, observando pedras e buracos, salta nos lugares mais improváveis e também chegamos em velocidades impressionantes. Então ser rápido e cuidar do carro não são coisas que andam juntas, mas no rally todo piloto tem que ser assim”.


