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Goleiro taquarense supera lesão e assina com o Botafogo em trajetória de resiliência

Rafael dos Santos Stein, de 16 anos, iniciou em escolinha em Taquara, passou pelo Grêmio, enfrentou cirurgia no joelho e agora integra o sub-17 do clube carioca
(Foto: Botafogo de Futebol e Regatas/Divulgação)

Aos 16 anos, o taquarense Rafael dos Santos Stein vive o início de uma virada que poucos goleiros tão jovens experimentam: depois de uma trajetória marcada por descobertas, tropeços, crescimento físico e emocional, o adolescente que começou em escolinhas de futebol em Taquara, acaba de assinar contrato com o Botafogo de Futebol e Regatas do Rio de Janeiro, onde integrará o elenco sub-17 em 2026.

A paixão pelo futebol nasceu cedo. Ele conta que, ainda criança, aos nove anos, decidiu que queria ser goleiro de verdade — embora tenha se arriscado como centroavante por um tempo. Antes de chegar ao Grêmio, em 2022, já treinava na Escolinha Taquara Tricolor, onde teve as primeiras noções de posicionamento e responsabilidade dentro da área. No clube porto-alegrense, conviveu com colegas de posição mais altos, mas logo começou a alcançar o padrão físico exigido, primeiro de forma gradual, depois em um estirão repentino que o levou a 1,80m em 2022. Hoje, com 1,92m, sabe que a altura é um diferencial cada vez mais valorizado no futebol moderno.

Mas, antes disso, a pandemia freou tudo em 2021. Rafael lembra que passou meses longe do campo, entre videogame e uma rotina mais parada. Estava inclinado a desistir. O retorno veio quando Rodrigo Maciel, dono da escolinha onde o jovem começou, avisou a seu pai que o Tricolor de Porto Alegre buscava um goleiro. Foi então que ele fez o teste no Centro Treinamento Parque Cristal, sede da Escola de Futebol do Grêmio na capital, no fim de 2021, e recebeu sinal verde para se apresentar no início de 2022.

Concentração (Foto: Arquivo pessoal)

De fevereiro daquele ano em diante, mergulhou em treinos específicos, deslocamentos constantes e, ao completar 14 anos, a mudança para o CT Presidente Hélio Dourado, em Eldorado do Sul, etapa em que a cobrança aumentou, vieram competições e a rotina intensa do alojamento.

O ano de 2023 foi especial, mas 2024 trouxe o baque: em janeiro de 2025, o Grêmio, onde conquistou títulos como o BG Prime e o Gauchão Sub-15, o liberou. Rafael conta que só depois disso descobriu que estava jogando lesionado, com um problema no joelho esquerdo. A cirurgia e o tratamento vieram em seguida, todos particulares, com apoio do médico Felipe do Canto e acompanhamento do empresário e fisioterapeutas.

A recuperação o recolocou no campo apenas em setembro. Desde então, sempre acompanhado pelo pai e pelo representante, passou a treinar por conta própria, com suporte de um preparador específico, em Gravataí, no CT RGM Academy, centro de treinamento comandado pelos ex-goleiros do Grêmio Rodrigo Galatto e Marcelo Grohe.

Com Marcelo Grohe no CT do ex-goleiro gremista (Foto: Arquivo pessoal)
A volta aos gramados

Refeito, voltou ao mercado. Em outubro, surgiram duas possibilidades, mas o destino acabou apontando do Sul para o centro do país. O Botafogo buscava um goleiro, e o empresário do taquarense viabilizou a conexão entre clube e atleta. Rafael viajou ao Rio de Janeiro, permaneceu duas semanas em período de avaliação e foi aprovado. O curto intervalo até o fim do ano limitou os treinos, mas não impediu a confirmação da vaga. Agora, ele retorna no dia 10 de janeiro para iniciar a temporada e disputar competições importantes da base, como a Copa do Brasil, o Campeonato Carioca e o Brasileirão Sub-17.

A mudança de estilo também chama sua atenção. Enquanto no Sul predomina um jogo mais físico e de contato, no Rio a exigência passa pela técnica, pela leitura de jogo e pela participação ativa na construção das jogadas. No Botafogo, a adaptação envolve o contato com outra escola de futebol, marcada por características regionais bem definidas. O jovem observa que, no Sul, a saída curta por dentro ainda é menos trabalhada, enquanto no Rio o goleiro precisa olhar o tempo todo para o meio, receber sob pressão e distribuir a bola com rapidez. Para ele, esse é o perfil do goleiro moderno: técnico, comunicador, com postura, precisão nos pés e leitura aguçada do jogo.

Entre todas as referências, uma acompanha Rafael desde menino: Marcelo Grohe. O taquarense conta que costumava imitar o corte de cabelo, usava camisa com o nome do ídolo e, anos depois, acabou dividindo treinos com o ex-gremista. O encontro marcou o jovem goleiro, especialmente pelas conversas sobre paciência, humildade e o tempo certo das coisas. Grohe, lembra Rafael, orientou o taquarense sobre a importância de não antecipar etapas e manter o foco.

(Foto: André Amaral/Rádio Taquara)

No Rio de Janeiro, Rafael vai residir no bairro Engenho de Dentro, na Zona Norte da cidade, onde fica o Estádio Olímpico Nilton Santos, o Engenhão, casa do Botafogo de Futebol e Regatas. Ele também irá concluir o ensino médio na nova cidade.

Rafael chega ao Botafogo com a disposição de quem encara o momento como um recomeço. Ele diz que, depois de tudo o que viveu nos últimos meses, passou a valorizar cada treino e cada oportunidade dentro de campo. O goleiro destaca que este novo ciclo representa uma chance importante de crescimento, tanto como atleta quanto como pessoa, e relata a vontade de contribuir com o grupo no dia a dia. Ciente de que a trajetória está apenas no início, afirma estar altamente motivado para dar o seu melhor e construir, com trabalho e constância, uma história sólida no clube.