
Foto: Vinicius Linden / Rádio Taquara
Na tarde desta terça-feira (16), o deputado estadual Joel Wilhelm (PP) utilizou o espaço do Grande Expediente na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, para manifestar, mais uma vez, a contrariedade de lideranças do Vale do Paranhana ao projeto de concessões rodoviárias proposto pelo governo estadual, em especial ao chamado Bloco 1.
Acompanhado por prefeitos, prefeitas, vereadores e outras lideranças da região, o parlamentar destacou que o projeto, da forma como foi apresentado, onera excessivamente os usuários das rodovias, principalmente na ERS-239, e não contempla as obras consideradas prioritárias para a região. “Queremos que o Estado utilize os recursos do Fundo de Infraestrutura (Funrigs) para executar as melhorias necessárias, sem a instalação de novas praças de pedágio”, afirmou Joel Wilhelm.
Segundo o deputado, atualmente o custo diário para trabalhadores e estudantes que utilizam a ERS-239 gira em torno de R$ 6,50 (ida e volta). Com a implantação do modelo previsto no Bloco 1, esse valor poderia ultrapassar os R$ 30 diários. Ele comparou o valor proposto de R$ 0,21 por quilômetro com o que, na prática, representaria R$ 0,40 por quilômetro no trecho de 76 km entre Riozinho e Novo Hamburgo, o mais impactado do Vale.
Outro ponto criticado foi a ausência de obras estruturantes no plano apresentado. Joel Wilhelm citou a falta de previsão para construção de viadutos em pontos estratégicos da ERS-239, como nos acessos a Novo Hamburgo, Campo Bom, Taquara, Igrejinha, Três Coroas e Nova Hartz. Em substituição, o projeto prevê passagens subterrâneas, que, segundo o parlamentar, são inadequadas para regiões com intenso tráfego e suscetíveis a alagamentos.
O deputado também apontou que o projeto não contempla melhorias na ERS-020, especialmente no trecho entre São Francisco de Paula e Taquara, por onde circula grande número de caminhões. “Nos preocupa que essa rodovia, estratégica para o escoamento de produção, fique 30 anos sem qualquer obra prevista”, afirmou.
Outro alvo de críticas foi o modelo econômico da concessão. Joel Wilhelm questionou o custo estimado de R$ 500 milhões para despesas com diretorias ao longo de 30 anos. “Não podemos aceitar que o estudante ou o trabalhador da nossa região arque com esse custo para manter uma estrutura administrativa”, pontuou.
A manifestação teve apoio de representantes de diversos partidos, sindicatos, universidades e entidades regionais, que também demonstraram insatisfação com o projeto. Os prefeitos de Igrejinha, Leandro Horlle; Taquara, Sirlei Silveira; e de Três Coroas, Fabiel Port, marcaram presença ao ato, compondo a mesa oficial da Assembleia Legislativa ao longo do grande expediente. Também estiveram presentes o vice-prefeito de Taquara e diretor-geral da Faccat, Delmar Backes, e o reitor da Universidade Feevale, José Paulo da Rosa. Representantes de entidades empresariais da região também manifestaram a contrariedade ao modelo proposto pelo governo.
A principal reivindicação é de que o governo suspenda a publicação do edital do Bloco 1 até que o projeto seja reavaliado com a participação efetiva das lideranças locais.

Foto: Vinicius Linden / Rádio Taquara


