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Lideranças do Vale do Paranhana reforçam oposição ao projeto de pedágios na Assembleia Legislativa

Deputado Joel Wilhelm e representantes regionais destacam impactos econômicos e estruturais do Bloco 1 das concessões rodoviárias
Foto: Vinicius Linden / Rádio Taquara

Durante o Grande Expediente realizado nesta terça-feira (16), na Assembleia Legislativa, lideranças políticas e institucionais do Vale do Paranhana reiteraram publicamente sua contrariedade ao projeto de concessão de rodovias do Governo do Estado, especialmente ao Bloco 1, que prevê a instalação de novas praças de pedágio na ERS-239 e outras vias da região.

A prefeita de Taquara, Sirlei Silveira, afirmou que o momento simboliza a união dos municípios da região em torno de uma pauta comum. Ela defendeu maior mobilização popular e destacou a importância da presença de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores no ato. “Dizer não aos pedágios neste momento é importante”, frisou.

O prefeito de Igrejinha e presidente da Ampara, Leandro Horlle, classificou o projeto como injusto, ao criar duas categorias de usuários: os que pagarão e os que não pagarão pedágio. Ele reforçou que o Vale do Paranhana já manifestou oficialmente sua contrariedade ao modelo e espera ser ouvido antes da implementação. “Não queremos arcar com prejuízos pelos próximos 30 anos”, afirmou.

Representando o comércio regional, o presidente do Sindilojas Vale do Paranhana, Felipe Júnior Rosa, alertou para os impactos no turismo e no comércio local. Ele citou o aumento no custo do deslocamento entre a capital e Gramado, que poderá ultrapassar R$ 46 com os novos pedágios, afetando diretamente a rota turística pela ERS-115. “Isso vai interferir no preço do frete e no consumo, afetando 100% o comércio local”, declarou.

O prefeito de Três Coroas, Fabiel Port, também criticou o Bloco 1, destacando o aumento nos custos para trabalhadores e estudantes, além da perda de competitividade dos produtos da região. Para ele, o modelo impacta negativamente a economia local.

Delmar Backes, vice-prefeito de Taquara e diretor-geral da Faccat, apontou prejuízos diretos aos estudantes que dependem do deslocamento diário. Ele destacou a falta de visão de futuro no projeto. “Assinar um contrato por 30 anos é não pensar em 2050, 2060. Temos que mudar isso”, defendeu.

O deputado estadual Joel Wilhelm (PP), responsável por organizar o ato, foi enfático ao afirmar que o modelo proposto onera desproporcionalmente os usuários da região sem apresentar contrapartidas estruturais significativas. Segundo o parlamentar, o custo diário de deslocamento, que hoje é de aproximadamente R$ 6,50, poderá ultrapassar os R$ 30, o que representaria um aumento de mais de 360%. Wilhelm criticou também a ausência de obras como viadutos nos acessos a municípios da região e apontou que a ERS-020 ficará sem intervenções por 30 anos, mesmo sendo essencial para o escoamento da produção local. O deputado ainda questionou o modelo econômico da concessão, que prevê R$ 500 milhões para gastos administrativos em três décadas.

O principal pedido das lideranças regionais é que o governo do Estado suspenda a publicação do edital do Bloco 1 e reavalie o projeto com a participação efetiva dos representantes locais.