Geral

Três Coroas entra no circuito mundial do tênis de mesa com o STAG Global

Evento reúne atletas de 20 países, tem entrada gratuita, alto nível técnico e transforma a cidade em palco de intercâmbio esportivo e cultural até o dia 25
O chinês Huang Jungang e o sueco Anton Andersson se enfrentam na final do Open (Fotos: André Amaral/Rádio Taquara)

Três Coroas entrou definitivamente no mapa do tênis de mesa internacional ao sediar o STAG Global, torneio mundial organizado pela International Classic Table Tennis Federation (ICTTF), que ocorre desde domingo (18) e segue até o dia 25 no Ginásio Municipal Armando Brusius. Com entrada gratuita e jogos diários das 8h às 21h, o evento reúne atletas de 20 nacionalidades e transforma a cidade em um ponto de encontro entre culturas, gerações e estilos distintos da modalidade.

Países como Alemanha, China, Estados Unidos, França, Polônia, Rússia e Suécia estão representados na competição, que conta com o apoio da Associação Esportiva Dimenores e tem a Federação Gaúcha de Pingue-Pongue (FGPP) como facilitadora local. Para além da disputa esportiva, o Mundial tem sido marcado pelo alto nível técnico e pela intensa troca de experiências entre atletas brasileiros e estrangeiros.

Entre os representantes locais, o principal destaque é o três-coroense Lutieri Lima, atual líder do ranking brasileiro. A lista de inscritos ainda conta com nomes conhecidos da região, como Rafael Smaniotto, campeão mundial sub-18 em Macau, Jeferson Konradt e Guilherme Wommer. Outro atleta da casa que ganhou projeção foi Murilo Lange, campeão na categoria sub-25 do sandpaper, modalidade disputada com raquete revestida de lixa.

Murilo relembrou o início da trajetória no esporte e destacou a importância da vivência internacional proporcionada pelo Mundial.

Prefeito Fabiel Port com o campeão Murilo Lange (Foto: Lilian Moraes)

“Conheci o pingue-pongue quando tinha 11 anos e comecei no projeto Dimenores. Com o tempo fui evoluindo, cheguei à primeira divisão e conquistei o título geral em 2023. Sempre pratiquei o pingue-pongue raiz, com raquete de madeira, e aqui precisei me adaptar a um formato diferente para competir com atletas do mundo todo. Isso não é fácil, mas tudo vira aprendizado”, afirmou.

Segundo ele, a convivência com estrangeiros amplia a visão sobre o esporte. “Foi a minha primeira experiência jogando com atletas de fora do país. A comunicação às vezes é difícil, mas eles trazem muito para acrescentar ao nosso nível. As vitórias, as derrotas e as amizades ficam como experiência para a vida inteira”, completou.

Público “apaixonado”

O alto nível da competição ficou evidente especialmente nas fases finais do Open. Na quinta-feira (23), o sueco Anton Andersson conquistou o título ao vencer o chinês Huang Jungang por 3 sets a 0. Após a final, Andersson destacou a experiência de competir em uma cidade pequena do Brasil e se disse impressionado com o envolvimento dos atletas locais.

“Mesmo em um lugar onde o tênis de mesa não é tão popular, há pessoas extremamente apaixonadas. Nunca tinha encontrado tanta paixão pelo esporte como a de alguns jogadores daqui. Além disso, todos são muito acolhedores”, disse.

A concentração do campeão Andersson

O sueco também deixou uma mensagem aos jovens brasileiros que estão começando na modalidade. “Se você treinar bastante, acreditar em si mesmo e fizer o trabalho, pode chegar ao nível que quiser. Mesmo vindo de lugares onde o tênis de mesa não é tão popular, é possível. Dá pra chegar lá”, afirmou.

Momento histórico

Para o presidente da Federação Brasileira de Pingue-Pongue Clássico, da Federação Gaúcha e representante da ICTTF no Brasil, César Fonseca, o STAG Global simboliza um momento histórico para a modalidade no país. “A partir das quartas de final, o nível sobe muito e só chega quem realmente tem mérito. Tivemos semifinais e finais com atletas como Alexander Fleming, o ‘The Flash’, o sueco Anton Andersson e jogadores chineses como Huang Zhuang e Wang Shibo”, destacou.

Fonseca citou ainda o equilíbrio do torneio como indicativo da sua força. “Para se ter uma ideia do nível altíssimo da competição, o eslovaco Lubomir Pistej, que é um dos principais nomes da WTTT hoje, não conseguiu chegar a essa fase. Isso mostra o quanto o torneio foi competitivo”, avaliou.

O mesa-tenista alemão Alexander Fleming, o ‘The Flash’, campeão do mundo

De acordo com o dirigente, sediar um Mundial desse porte no Brasil amplia o acesso dos atletas a experiências internacionais. “Muitos atletas só conseguem competir fora do país com apoio de empresários ou do poder público, o que não é realidade para todos. Trazer o evento para cá cria oportunidades que muitos não teriam se fosse no exterior”, afirmou.

Ele também ressaltou o impacto cultural e turístico do evento. “A gente mostra a nossa cultura, a forma como o brasileiro recebe bem as pessoas. Esses vídeos circulam pelo mundo e colocam o Brasil no mapa do pingue-pongue clássico internacional. Aos poucos, o país passa a ser reconhecido como uma potência nessa modalidade”, disse.

Nos últimos dias do STAG Global, a programação segue intensa. Nesta sexta-feira e no sábado, acontecem as disputas da modalidade UDI, jogada com raquete de madeira. No domingo, será realizado o Choice, categoria em que é permitido o uso de qualquer tipo de raquete. Além das partidas, o evento prevê uma passeata com todas as delegações pelas ruas centrais de Três Coroas, em frente à Prefeitura, a cerimônia de encerramento no ginásio, com participação da orquestra municipal, e uma confraternização no Tresco Park.