
Na manhã desta sexta-feira (27), às 10h, a CICS-VP sediou uma reunião de trabalho que reuniu associados, empresários e presidentes de entidades representativas do Vale do Paranhana para debater a concessão do Bloco 1 das rodovias estaduais.
Participaram representantes da CICS-VP, ACISA Rolante Riozinho, OAB Taquara, CDL Igrejinha e Três Coroas, Instituto Taquara Mais, Sindilojas Paranhana e Lions Inovação. Também estiveram presentes os deputados estaduais Felipe Camozzato e Joel Wilhelm, que acompanharam o debate.
Foi unânime entre os presentes o reconhecimento da importância de investimentos, parcerias, concessões e privatizações como instrumentos legítimos para qualificar a infraestrutura e impulsionar o desenvolvimento regional. No entanto, também houve consenso de que o formato atualmente proposto para o Bloco 1 não atende às necessidades do Vale do Paranhana.
As entidades avaliam que o modelo apresentado é inadequado, tanto pelo custo tarifário considerado elevado quanto pela localização e pelo formato das praças de pedágio. Defende-se a revisão integral da proposta, com o abandono do modelo inicial e a construção de um novo projeto alinhado às demandas regionais.
Foram apontadas falhas estruturais relevantes, especialmente a ausência de viadutos e dispositivos de acesso adequados aos municípios ao longo da RS-020, RS-115 e RS-239. Segundo as lideranças, a inexistência dessas obras compromete a segurança viária, a fluidez do tráfego e a integração entre as rodovias e as áreas urbanas.
As entidades também alertaram para o risco de desvio de tráfego pesado para dentro dos perímetros urbanos em razão de tarifas elevadas e soluções técnicas consideradas insuficientes. Esse cenário, conforme destacado, pode sobrecarregar vias municipais não projetadas para esse fluxo, aumentar o risco de acidentes, acelerar a deterioração da infraestrutura urbana e gerar custos adicionais aos municípios.
Entre as prioridades apontadas estão a construção de viadutos e dispositivos adequados de acesso ao longo das rodovias, a implantação de ciclovias nos trechos urbanos, a construção de passarelas nos pontos que cortam áreas urbanas de Sapiranga, Parobé, Taquara, Igrejinha e Três Coroas, além da prioridade na duplicação da RS-239 entre Taquara e Rolante e da RS-115 entre Taquara e Três Coroas. Também foi defendida a revisão dos retornos existentes na RS-239, apontados como fatores de acidentes graves.
Outro ponto debatido foram os custos constantes na planilha orçamentária do modelo proposto, especialmente valores destinados à diretoria, serviços gerais, softwares e sistemas, que impactam diretamente na composição tarifária. No entendimento das lideranças, uma tarifa razoável deveria situar-se entre R$ 0,10 e R$ 0,11 por quilômetro rodado, patamar inferior ao atualmente apresentado.
Outro ponto questionado foi o repasse superior a R$ 1,5 bilhão do FUNRIGS para execução de obras pela concessionária. As entidades defendem que esse montante seja direcionado imediatamente às obras estruturantes prioritárias da região.
As entidades destacaram ainda que, neste momento, descartam a adoção de medidas judiciais, pois acreditam na força das instituições e no diálogo técnico e transparente com o Governo do Estado como caminho adequado para a construção de uma solução equilibrada.
As contribuições serão consolidadas em um documento técnico a ser encaminhado formalmente ao Executivo estadual, reafirmando a posição unificada do Vale do Paranhana em defesa de um modelo considerado mais equilibrado, transparente e alinhado às necessidades da população e do setor produtivo.


