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Estudo propõe aprimoramento dos planos de contingência da Defesa Civil no Vale do Paranhana

Engenheiro Gerson Lamberti apresentou propostas de melhoria e defendeu integração da gestão de riscos ao planejamento urbano

O engenheiro civil Gerson Lamberti participou de entrevista na Rádio Taquara, recentemente, para detalhar a elaboração de propostas de melhoria aos planos de contingência da Defesa Civil dos municípios do Vale do Paranhana. O trabalho foi desenvolvido por alunos do curso de Engenharia de Produção da Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), sob orientação do professor Carlos Fernando Jung, no contexto do mestrado em Desenvolvimento Regional.

Segundo Lamberti, a iniciativa teve início após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, quando foi apresentado um estudo às administrações municipais com sugestões voltadas à área de Defesa Civil. Em 2025, o projeto avançou com a análise dos planos de contingência de Três Coroas, Igrejinha, Parobé, Taquara, Rolante e Riozinho, com foco na identificação de melhorias técnicas e organizacionais.

De acordo com o engenheiro, Igrejinha, Três Coroas e Rolante apresentam planos mais estruturados, em razão da recorrência de eventos como inundações e deslizamentos. Já Taquara, Parobé e Riozinho receberam recomendações para aprimoramento ou elaboração de seus planos, conforme as exigências da legislação federal vigente desde 2012.

O trabalho incluiu levantamento de dados hidrológicos, análise de registros históricos, estudo das características urbanas e identificação de responsabilidades operacionais em situações de emergência. Lamberti explicou que a proposta não consiste em um plano único, mas em diretrizes para que cada município adapte seu documento à realidade local, evitando modelos padronizados que não considerem especificidades territoriais.

Durante a entrevista, o engenheiro ressaltou a diferença entre alagamentos — geralmente causados por problemas de drenagem urbana e com rápida normalização — e inundações, quando há transbordamento de rios e permanência prolongada da água. Ele também destacou que intervenções em um município podem impactar cidades localizadas a jusante, o que exige planejamento conjunto na bacia hidrográfica do Rio Paranhana.

Lamberti defendeu a profissionalização da Defesa Civil nos seis municípios, com a presença de profissionais especializados em gestão de riscos e a manutenção de memória técnica permanente, independentemente de mudanças administrativas. Ele também afirmou que a Defesa Civil deveria integrar o planejamento urbano por meio dos planos diretores, considerando que os desastres climáticos impactam diretamente o ordenamento territorial.

Outro ponto destacado foi a necessidade de dar publicidade aos planos de contingência, permitindo que a população conheça procedimentos e locais de atendimento em caso de emergência.

Conforme o engenheiro, além de contribuir com a formação acadêmica dos alunos envolvidos, o estudo busca fomentar uma atuação mais preventiva por parte das administrações municipais, diante da possibilidade de eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos na região.