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Kuchenfest 2026 apresenta a cuca “Querência Amada”, com lombo defumado e figo em homenagem a Teixeirinha

Novo sabor agridoce é a grande novidade da festa em Rolante. Produção artesanal envolve milhares de cucas e preserva tradição passada entre gerações
(Fotos: André Amaral/Rádio Taquara)

A 27ª edição da Kuchenfest, em Rolante, apresenta ao público um novo sabor que promete marcar a história da festa. Batizada de “Querência Amada”, a cuca especial de 2026 combina lombo defumado com a doçura do figo, criando um contraste agridoce que homenageia o cantor Teixeirinha, nascido no município há quase 100 anos.

A novidade foi apresentada pela presidente da Ascur (Associação de Cuqueiras e Cuqueiros de Rolante), Lígia Laux, entidade responsável pela produção das cucas da festa. Fundada em 2015, a associação reúne produtores locais e atua na preservação das cucas artesanais do município, valorizando ingredientes regionais e técnicas transmitidas de geração em geração.

A trajetória de Lígia dentro da associação começou de forma simples, quase nos bastidores da produção, mas acabou se tornando parte importante da história da festa.

“Eu comecei a convite de uma amiga que já coordenava o grupo na época. Fiquei três anos só quebrando ovos. Era quebrar ovo, quebrar ovo e aprender”, lembra. “Depois a gente vai assumindo outras tarefas”.

Para ela, a ligação com a cuca vem de muito antes da Kuchenfest ganhar a dimensão atual. O costume já fazia parte da rotina das famílias da região.

“A gente sempre fazia cuca em casa, na Páscoa, no Natal, em batizados. Não nessa proporção de hoje, claro. Mas em qualquer almoço de família, festa de comunidade ou de igreja, sempre tinha cuca. A festa nasceu muito dessa tradição”.

Na última edição da Kuchenfest, foram utilizados cerca de 1,2 mil dúzias de ovos na produção das cucas. No total, aproximadamente 14,4 mil unidades foram preparadas durante o evento.

“A expectativa é sempre crescer. Todo ano a gente espera produzir mais cucas do que no anterior”, afirma Lígia.

Produção na cozinha da Kuchenfest

O sabor que costuma liderar as vendas é justamente o lançamento de cada edição, já que os visitantes ficam curiosos para experimentar a novidade. Depois dele, a campeã de vendas costuma ser a tradicional cuca de linguiça.

“Ela foi criada em 2004 e foi a primeira cuca agridoce que fizemos. Até então ninguém tinha ousado colocar um recheio salgado numa massa doce”, explica.

A escolha do novo sabor é resultado de testes realizados ao longo do ano pelas integrantes da associação. As receitas são experimentadas, discutidas e aperfeiçoadas até chegar ao recheio final.

“É um processo pensado. Não é só escolher o recheio, mas também entender de onde vêm os ingredientes, qual a história por trás e o que ele representa. Hoje já temos mais de 30 sabores criados ao longo dos anos”.

A novidade

Durante a preparação da nova cuca Querência Amada, o processo segue etapas tradicionais dentro da cozinha da associação.

Primeiro, uma camada de massa é colocada nas formas. Em seguida, entra o lombo defumado e o geleado de figo, um preparo que, segundo Lígia, não é exatamente uma geleia nem uma chimia.

“O figo fica mais inteiro, é uma textura diferente. Depois colocamos outra camada de massa por cima e finalizamos pincelando ovo batido antes de levar ao forno”.

Cucas prontas para ir ao forno

O forno utilizado também mantém métodos tradicionais. Ele é aquecido com brasas, que depois são retiradas para que a cuca asse apenas com o calor acumulado nos tijolos.

“O forno é aquecido com fogo, mas a cuca assa no calor do tijolo. O Roberto [voluntário da Ascur] tira as brasas, limpa o forno e testa a temperatura com papel. Se o papel escurece demais, está quente demais e precisa esfriar. Quando sai na cor certa, sabemos que está pronto para assar”, explica Lígia. “É um processo quase medieval”, detalha.

Organização e conservação

Após saírem do forno, as cucas são levadas para a área de organização, onde são separadas por sabor para facilitar o atendimento ao público.

A tesoureira da Ascur, Alexandra Marques, explica que cada prateleira recebe identificação para evitar confusão entre os recheios.

“As cucas vêm em carrinhos e a gente coloca nas prateleiras identificadas. Assim, quando o cliente pede um sabor, já sabemos exatamente onde ele está para atender mais rápido.”

Filha de cuqueira, Alexandra também aprendeu o ofício dentro da família.

“Faço parte da associação e sou tesoureira, mas também sou filha de cuqueira. É um trabalho que passa de geração em geração. Se precisar fazer todo o processo, eu sei fazer também”.

O símbolo da festa

Ela ainda orienta sobre a melhor forma de conservar o produto em casa.

“A cuca pode ser congelada. Como ela é grande, dá para partir ao meio e congelar uma parte. Depois, é só tirar do freezer um dia antes, deixar descongelar em temperatura ambiente e aquecer no micro-ondas. Ela fica como se tivesse sido feita naquele dia”, garante Alexandra.

Programação

Sexta-feira (6/3)

  • 13h00 – Banda Arte Show
  • 18h00 – Desfile
  • 19h00 – Abertura Oficial
  • 20h00 – Banda Choppão
  • 22h00 – Atitude 67, grupo de samba pop nacional conhecido por músicas como “Cerveja de Garrafa”
  • 00h00 – João Luiz Corrêa, tradicionalista do cenário gaúcho
  • 02h00 – Corpo e Alma, banda de baile popular no sul do país

Sábado (7/3)

  • 14h00 – Banda Biss
  • 16h00 – Cleiton Borges
  • 18h00 – Barbarella
  • 20h00 – Comunidade Nin-Jitsu, banda de rock/rap gaúcha com mais de 25 anos de carreira
  • 22h00 – Banda Cavalinho, com mais de 50 anos de estrada e presença marcante em edições da Oktoberfest de Blumenau
  • 00h00 – Tchê Guri
  • 02h00 – Banda 10

Domingo (8/3)

  • 12h00 – Banda Biss
  • 14h00 – JJSV
  • 16h00 – Cia Show 4
  • 18h00 – DJ
  • 19h00 – Marcos & Belutti, dupla sertaneja conhecida nacionalmente por sucessos como “Domingo de Manhã”
  • 21h00 – Banda Eccos