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Investigação contra médico em Taquara inclui suspeita de estupro, confirma delegado

A polícia reforça o pedido para que outras possíveis vítimas procurem atendimento, destacando que o comparecimento é fundamental para o fortalecimento da investigação.

A investigação contra o médico cardiologista Daniel Pereira Kollet, de 55 anos, preso preventivamente em Taquara, passou a incluir a suspeita de estupro. A atualização foi confirmada nesta terça-feira (31) pelo delegado Valeriano Garcia Neto, que detalhou o avanço do caso após novos depoimentos.

Segundo o delegado, o aumento no número de vítimas já era esperado após a divulgação da prisão. Até o momento, mais de 20 mulheres foram identificadas, sendo que 14 formalizaram registro na Delegacia de Polícia. A corporação reforça o pedido para que outras possíveis vítimas procurem atendimento, destacando que o comparecimento é fundamental para o fortalecimento da investigação.

Inicialmente, os relatos apontavam para crimes de importunação sexual e posse sexual mediante fraude, este último relacionado ao vínculo de confiança entre médico e paciente. No entanto, conforme a autoridade policial, um dos depoimentos apresentou elementos que enquadram a conduta também como estupro, o que levou à adoção de novas medidas no inquérito.

De acordo com Garcia Neto, a Polícia Civil já encaminhou ao Poder Judiciário pedidos cautelares relacionados a esse novo fato, o que pode resultar em um novo decreto de prisão preventiva contra o investigado. “É uma investigação dentro de outra investigação”, afirmou o delegado.

As apurações indicam que o médico teria adotado um padrão de comportamento durante os atendimentos, convencendo pacientes a retirarem parte das roupas para a realização de exames. Conforme os relatos, os episódios ocorriam em momentos de vulnerabilidade, quando o profissional se aproximava fisicamente das vítimas sem consentimento, sob justificativas como demonstrações de cuidado ou orientação espiritual.

O delegado também destacou que muitas vítimas ainda resistem em procurar a polícia por medo, vergonha ou por se tratar de um tema íntimo. A instituição afirma que dispõe de equipe preparada para realizar atendimentos com acolhimento, sigilo e respeito. A Polícia Civil informou ainda que realiza uma busca ativa por outras possíveis vítimas, com o objetivo de compreender a extensão dos fatos e reunir elementos para responsabilização do suspeito.

Daniel Pereira Kollet foi preso na manhã de segunda-feira (30), em seu consultório no Centro de Taquara, e permanece à disposição da Justiça, atualmente em Porto Alegre. A defesa do médico informou anteriormente que ele nega as acusações e que ainda não teve acesso completo ao inquérito.