
Desde o dia 20 de março, moradores de Taquara relatam problemas na água fornecida pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), incluindo odor e gosto desagradáveis, além de coloração marrom que impossibilita o consumo.
Diante da persistência do problema, cerca de 10 moradores se reuniram em frente ao prédio da Corsan nesta terça-feira (7), em dois momentos: no final da manhã e no começo da tarde. O grupo buscava reivindicar providências da companhia e relatar os impactos que a situação tem causado. Alguns conversaram com a reportagem da Rádio Taquara.
Marco Antônio Fioreze, morador da rua Guilherme Lahm, destacou a impossibilidade de usar a água. “Ela realmente não tem condições de consumo. O cheiro é insuportável, e a água chega branca. É impossível beber ou cozinhar com ela. Ainda tenho receio de ter que procurar atendimento de saúde futuramente por causa disso”.
Flávio Pires, do bairro Empresa, criticou a cobrança pelo serviço. “Cobram um valor absurdo em taxas e impostos, e não temos retorno. Nosso município precisa se responsabilizar pelas consequências que as pessoas estão enfrentando, como vômito, diarreia e alergias. Eu consigo água de poço, mas muitos vizinhos não têm e precisam comprar água, aumentando os gastos”.
Rosane da Silva, também do bairro Empresa, relatou que criou um grupo em redes sociais após notar o aumento das reclamações. “No dia 20 de março, fiz uma publicação reclamando do cheiro e gosto da água. Muitas pessoas começaram a relatar os mesmos problemas, com vídeos e fotos. No final de semana, percebi que a água piorou ainda mais. Criamos um grupo para organizar as denúncias e divulgar o contato da Corsan”.
Maria de Fraga Martins, moradora do bairro Petrópolis, disse que os problemas afetaram diretamente sua família. “Minha filha ficou desidratada, com vômito, diarreia e febre. Graças a Deus, tenho água de poço, mas a população está enfrentando isso há dias. Não conseguimos cozinhar, lavar roupas ou dar banho nas crianças. Mais de 80% da população está com esse problema”.
José Martins, do bairro Nossa Senhora de Fátima, relatou aumento na conta de água sem utilização adequada. “Nossa conta vinha em torno de R$ 400 a R$ 500, agora passou de R$ 600. Essa água não dá para beber. Ela fede. Meus netos ficaram doentes, um precisou de atendimento de urgência e outro teve diarreia intensa. Só com água comprada conseguimos melhorar a situação”.
Em resposta à situação, a Prefeitura de Taquara anunciou, nesta segunda-feira (6), a criação de uma força-tarefa para acompanhar os trabalhos da Corsan e buscar a normalização da qualidade da água no município. A medida foi definida após reunião no gabinete do prefeito em exercício, Delmar Backes, com representantes da companhia e integrantes de secretarias municipais.
A força-tarefa da Prefeitura segue acompanhando a Corsan para buscar soluções e normalizar a distribuição de água potável em Taquara.
Nota da Corsan
Em nota, a Corsan alega que vem intensificando, nas últimas semanas, a coleta de amostras e a realização de testes em diferentes pontos da rede de abastecimento de Taquara, inclusive em imóveis de clientes, para garantir que a água distribuída no município atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde, conforme a Portaria GM/MS nº 888/2021.
As análises foram acompanhadas, em diferentes momentos, por agentes da Vigilância Sanitária e da Defesa Civil e confirmam que a água está própria para consumo. A Companhia mantém monitoramento permanente, 24 horas por dia, em todas as etapas do tratamento.
Nesta segunda-feira, 6, técnicos da Corsan recolheram novas amostras de água no município. Em nenhum dos pontos vistoriados foi constatado odor ou qualquer outra alteração na qualidade da água. As amostras foram encaminhadas para análise no laboratório central da Companhia, em Porto Alegre.
A Corsan reforça que eventuais alterações sensoriais, como cheiro ou sabor, não comprometem a potabilidade da água quando os demais parâmetros exigidos pela legislação permanecem dentro dos padrões, como ocorre atualmente em Taquara.
Floração de algas
Também no comunicado, a companhia afirma que, desde a identificação de alterações nas características da água bruta captada no Rio dos Sinos, equipes da Corsan vêm adotando ajustes operacionais e medidas específicas no tratamento para enfrentar os efeitos da floração de algas no manancial.
Entre as ações implementadas estão o uso de produtos adequados ao processo, como carvão ativado e permanganato, para reduzir odor e sabor indesejáveis.
O período de pouca chuva, associado à concentração de resíduos no manancial, favoreceu a ocorrência do fenômeno.
Expurgos no fim de semana
Entre sexta-feira e sábado, dias 3 e 4, foram registrados dois rompimentos de adutoras em Taquara. Após a conclusão dos consertos, foram realizados expurgos em pontos específicos para limpeza da rede. O primeiro caso ocorreu próximo à saída da Estação de Tratamento de Água (ETA), em trecho da Avenida Fernando Ferrari, e o segundo na região da Rua Coronel Diniz, no bairro Santa Terezinha.
Oscilações no abastecimento podem provocar o arraste de micropartículas aderidas às paredes das tubulações, causando alteração temporária na coloração da água. Os expurgos são procedimentos operacionais realizados justamente para a limpeza da rede. A Companhia reforça que, nessas situações, alterações na cor da água não representam risco à saúde.


