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Taquarense de 12 anos leva sua vivência como autista para agenda da ONU em universidade de Portugal

Vicente Sanches, estudante e embaixador mirim do Instituto Incluir, participou de debates sobre inclusão, educação e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável durante agenda realizada em universidades e organizações portuguesas
(Fotos: Divulgação)

O taquarense Vicente Sanches, de 12 anos, estudante autista e embaixador mirim do Instituto Incluir, participou de um intercâmbio internacional em Portugal promovido pela organização brasileira com foco em inclusão de pessoas com deficiência. A agenda reuniu universidades, centros de pesquisa, organizações sociais e especialistas em cidades como Lisboa, Porto, Esposende e Oeiras.

A mobilização internacional foi viabilizada pelos projetos Pulsar e Esportivamente, desenvolvidos pelo Instituto Incluir, voltados a cursos de extensão em práticas inclusivas. Um dos principais momentos da programação ocorreu na Universidade do Porto, em parceria com a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da instituição, que celebra 45 anos de atuação.

Durante as atividades acadêmicas, Vicente participou de debates sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda global da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada a temas como educação, inclusão social e meio ambiente. Em suas falas, o estudante relacionou experiências do cotidiano com desafios globais ligados à acessibilidade e ao protagonismo de crianças e adolescentes.

Desde 2024, Vicente acompanha as ações do Instituto Incluir ao lado da mãe, Vanessa Sanches, diretora executiva da organização. O jovem participa de projetos, atividades de mobilização e iniciativas de engajamento social desenvolvidas pela entidade.

Segundo a presidente do Instituto Incluir, a psicóloga e educadora Carina Alves, a participação do estudante gaúcho amplia a discussão sobre inclusão em espaços internacionais.

“Quando um menino de 12 anos, autista, sai do interior do Rio Grande do Sul para falar em uma universidade na Europa, isso reposiciona o debate. Mostra que a inclusão também passa por escuta e protagonismo”, afirma.

Vicente durante a palestra

A programação na Universidade do Porto também contou com uma aula ministrada por Carina Alves para estudantes de mestrado, abordando bem-estar emocional em contextos acadêmicos e projetos sociais.

Outra atividade realizada foi a oficina “Passarinhar”, que reuniu práticas de yoga e técnicas de respiração em um encontro voltado para mulheres. A ação contou com a participação da organização Sexto Sentido PT, envolvendo pessoas com deficiência visual.

O projeto Literatura Acessível também integrou a agenda em Portugal. Oficinas de leitura com títulos protagonizados por crianças com deficiência e atividades de escrita com os pés reuniram estudantes de Serviço Social e turmas do ensino médio de escolas portuguesas.

“A inclusão precisa ser pensada de forma transversal na educação, na saúde, na cultura, no esporte e nas políticas públicas. Esse intercâmbio mostra o quanto a troca entre organizações e países fortalece práticas mais acessíveis e amplia o olhar sobre a pessoa com deficiência, não pelas limitações, mas pelas suas potencialidades”, destaca Carina Alves.

Além das atividades no Porto, a delegação brasileira participou de conferências internacionais, visitas técnicas e reuniões institucionais em diferentes cidades portuguesas.

Em Lisboa, o Instituto Incluir esteve em reunião com a Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI) para a Educação, Ciência e Cultura – Portugal, discutindo possibilidades de cooperação internacional.

Já em Esposende, visitas ao Clube Hípico do Norte abordaram práticas de inclusão por meio do esporte e do contato com a natureza, uma das frentes de atuação da organização no Brasil.

No município de Oeiras, em Carnaxide, a equipe participou de um seminário promovido pelo Conselho Nacional de Educação e pela OEI, com foco em políticas públicas educacionais e educação inclusiva.

O Instituto Incluir

Criado e presidido por Carina Alves, o Instituto Incluir atua na ampliação do acesso a direitos e no desenvolvimento de projetos voltados à inclusão em parceria com escolas, comunidades, empresas e poder público. Entre as iniciativas desenvolvidas estão os programas EsportivaMENTE, Pulsar, Empodera, Incluir nas Comunidades, Brasil Diversidade e Literatura Acessível, este último reconhecido internacionalmente pela UNESCO e pelo governo da China com o Prêmio Confúcio de Alfabetização.