A Polícia Federal concluiu uma investigação que aponta a existência de um esquema de fraude eleitoral em Riozinho envolvendo a transferência irregular de títulos de eleitores de cidades vizinhas para o município. O vereador Jonathan Ferreira (PL), o mais votado nas eleições de 2024, foi indiciado por compra de votos e uso de documento falso para fins eleitorais.
O inquérito, conduzido pelo delegado Cicero Costa Aguiar, da Delegacia de Direitos Humanos e Defesa Institucional da Polícia Federal, foi concluído na terça-feira (19). Conforme a investigação, Jonathan Ferreira teria organizado transferências fraudulentas de domicílio eleitoral para Riozinho, com pagamento a eleitores que não residiam na cidade.
Além do vereador, três eleitores também foram indiciados por participação no esquema. Segundo a PF, eles teriam aceitado transferir os títulos eleitorais de forma irregular em troca de dinheiro.
O caso já havia sido alvo de operação da Polícia Federal em 2025, quando Jonathan Ferreira foi alvo de mandado de busca e apreensão. Na ocasião, os agentes buscavam provas de pagamentos feitos a cidadãos para que alterassem seus domicílios eleitorais.
A investigação também reuniu depoimentos de pessoas que afirmaram ter recebido dinheiro para transferir os títulos eleitorais para Riozinho. Algumas admitiram que sequer conheciam o endereço informado à Justiça Eleitoral, utilizando apenas seus nomes para simular residência no município e votar em candidatos específicos.
Segundo os relatos, três mulheres de cidades próximas afirmaram ter recebido R$ 250 cada para realizar a transferência e participar da votação.
Dados da Justiça Eleitoral mostram que Riozinho registrou aumento de 14% no número de eleitores entre 2020 e 2024. Atualmente, o município possui 4.537 eleitores, número superior ao total estimado de habitantes, de 4.473, situação considerada pelas autoridades como indício de possível irregularidade.
Além do inquérito da Polícia Federal, também tramita uma ação na Justiça Eleitoral que pede a anulação da eleição majoritária no município.
O vereador ainda não se manifestou sobre o indiciamento pela PF. O espaço está aberto.


