
Com o objetivo de fortalecer a prevenção e a capacidade de resposta a desastres naturais, a Prefeitura de Igrejinha apresentou à comunidade, durante audiência pública realizada na noite de quinta-feira (2), a atualização do Plano de Contingência (Plancon). O documento revisado incorpora as experiências adquiridas após os eventos climáticos extremos registrados em maio de 2024 e estabelece novos protocolos para atuação integrada em situações de emergência.
Durante a apresentação, o prefeito Leandro Horlle destacou que a revisão buscou adequar o município aos desafios evidenciados pelas enchentes do ano passado, ampliando a estrutura de resposta e aprimorando a coordenação entre os órgãos envolvidos.
“Igrejinha apresentou publicamente o novo Plano de Contingência, que foi revisado e atualizado em função dos eventos climáticos de maio de 2024. O objetivo é mostrar à população que todas as situações que precisavam ser ajustadas em razão daqueles acontecimentos foram revistas e que o município está preparado para responder com coordenação, rapidez e eficiência caso tenhamos — e esperamos que não tenhamos — um novo evento climático da magnitude do que ocorreu em 2024”, afirmou.
Segundo o prefeito, o plano também redefine estruturas operacionais, amplia os equipamentos destinados à segurança e ao resgate e estabelece novos agentes responsáveis pela execução das ações, buscando garantir respostas mais rápidas e eficazes em momentos de crise.
O Plancon organiza a gestão de emergências por meio do Sistema de Comando de Operações (SCO), modelo que centraliza as decisões estratégicas e integra Prefeitura, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros Voluntários, Brigada Militar, secretarias municipais e demais órgãos envolvidos no atendimento à população.
Entre as principais atualizações está o fortalecimento da rede de monitoramento hidrometeorológico. Atualmente, Igrejinha conta com cinco pluviômetros instalados em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), uma estação hidrológica com transmissão de dados por redes 4G, 5G e satélite, além de câmeras que monitoram, em tempo real, o Rio Paranhana e o Arroio Koetz.
A coordenadora da Defesa Civil de Igrejinha, Alessandra de Azambuja, explicou que a elaboração do novo documento ocorreu de forma coletiva, envolvendo diversos setores da administração pública e instituições responsáveis pelo atendimento em situações de desastre.
“Nós temos um grupo permanente de atuação, formado pelos órgãos que estão à frente quando acontece um desastre. Esse grupo envolve Polícia, Bombeiros, Secretaria de Obras, Agricultura, Desenvolvimento Social, Educação, Saúde, entre outros. Todos esses atores contribuíram em reuniões preparatórias para a atualização do Plano de Contingência”, afirmou.
Segundo ela, além dos estudos de risco e da rede de monitoramento meteorológico, o plano reúne informações sobre os abrigos provisórios, um mapa interativo com dados estratégicos e o sistema de monitoramento por câmeras instalado em três pontos do município.
“Depois da apresentação de hoje, caso não haja novas contribuições, o Plano de Contingência será publicado no site do município, na página da Defesa Civil, com acesso livre para toda a população. Assim, em caso de um evento adverso, os moradores saberão para onde ir, onde buscar os avisos oficiais do município e quais são os abrigos provisórios disponíveis, caso seja necessário deixar suas casas conforme a orientação da Defesa Civil”, destacou.
O plano estabelece três níveis de mobilização baseados em critérios técnicos relacionados ao nível do Rio Paranhana e ao volume de chuvas acumuladas. O estado de normalidade prevê monitoramento permanente das condições meteorológicas. O estado de atenção é acionado quando o rio atinge 3,5 metros ou ocorre precipitação de 70 milímetros em 24 horas, mobilizando preventivamente as equipes e preparando os abrigos. Já o estado de alarme é decretado quando o rio alcança 4,5 metros ou há registro de 100 milímetros de chuva em um dia, determinando o início da remoção coordenada de famílias em áreas de risco e a abertura dos abrigos públicos.
As ações previstas no Plancon estão organizadas em cinco etapas: prevenção, preparação, mitigação, resposta e reconstrução. Conforme a administração municipal, o objetivo é garantir uma atuação coordenada desde o monitoramento preventivo até a recuperação das áreas afetadas após a ocorrência de desastres.
A Prefeitura também reforçou que, em situações de emergência, a população deve acompanhar exclusivamente os canais oficiais do município para obter informações e orientações, evitando a disseminação de boatos e notícias falsas que possam comprometer as operações de atendimento.


