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Abicalçados defende exportações brasileiras em audiência nos Estados Unidos sobre proposta de novas tarifas

Representante da entidade participou de audiência pública da USTR e argumentou que taxação pode elevar custos, reduzir a diversidade de fornecedores e prejudicar varejistas norte-americanos.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) participou, nesta terça-feira (7), de uma audiência pública promovida pelo Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, para discutir a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre as exportações brasileiras ao mercado norte-americano.

A entidade foi representada pela gerente de Relacionamento e Negócios, Letícia Sperb Masselli, que apresentou argumentos contrários à medida durante a sessão realizada no escritório da U.S. International Trade Commission (ITC). Também participaram representantes de entidades da indústria calçadista, do varejo e de importadores dos Estados Unidos, que, segundo a Abicalçados, manifestaram posicionamentos favoráveis à manutenção das importações brasileiras.

De acordo com Letícia, as manifestações apresentadas durante a audiência destacaram que os Estados Unidos possuem produção doméstica reduzida de calçados e dependem das importações para atender ao consumo interno. Ela afirmou que o Brasil ocupa posição estratégica nesse mercado, beneficiando exportadores, importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos.

Segundo a gerente, a indústria brasileira atua de forma complementar à cadeia de suprimentos dos Estados Unidos, oferecendo produtos em segmentos que exigem menor escala de produção, maior variedade de modelos, prazos de entrega mais curtos e capacidade de resposta às demandas do mercado, características consideradas relevantes principalmente para pequenos e médios varejistas.

A Abicalçados também ressaltou que o Brasil representa uma alternativa de fornecimento fora da Ásia, contribuindo para a diversificação da cadeia de suprimentos norte-americana. Conforme a entidade, o país é atualmente o quinto maior produtor de calçados do mundo e o maior fabricante fora do continente asiático, com produção de 847 milhões de pares em 2025.

Ainda conforme a associação, a aplicação de uma tarifa adicional reduziria a competitividade dos calçados brasileiros e poderia aumentar os custos para importadores e varejistas dos Estados Unidos. A entidade argumenta que a medida também reforçaria a concentração das importações em fornecedores asiáticos, principalmente China, Vietnã e Indonésia, que atualmente respondem pela maior parte do abastecimento do mercado norte-americano.

Dados da Abicalçados apontam que, no primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou aos Estados Unidos 5,6 milhões de pares de calçados, totalizando US$ 82,25 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 3,6% no volume embarcado e de 23,6% na receita.

A proposta de tarifa foi publicada pela USTR em 2 de junho, no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Após consulta pública encerrada em 1º de julho e a realização das audiências nos dias 6 e 7 de julho, o órgão tem prazo até 15 de julho para concluir a investigação e divulgar a decisão final.