
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifestou preocupação com a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre as importações de produtos brasileiros, incluindo os calçados. A medida foi publicada em 15 de julho e passa a valer a partir de 22 de julho de 2026.
Segundo a entidade, a decisão foi tomada no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Apesar das manifestações apresentadas por entidades, empresas, importadores e varejistas norte-americanos, o setor calçadista brasileiro não foi incluído entre os produtos contemplados pelas exceções previstas.
De acordo com o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, a medida representa um retrocesso nas relações comerciais entre os dois países. Conforme ele, a tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro no mercado norte-americano e inviabiliza diversas operações que haviam sido retomadas após o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano. Ferreira também afirmou que a decisão impacta exportadores brasileiros, além de importadores, marcas, varejistas e consumidores dos Estados Unidos.
Desde a divulgação da proposta, em 1º de junho, a Abicalçados informou que atuou em conjunto com o Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), além de contar com apoio de consultoria norte-americana e representantes da cadeia calçadista dos Estados Unidos.
No dia 7 de julho, a gerente de Relacionamento e Negócios da entidade, Letícia Sperb Masselli, participou de audiência pública promovida pelo USTR, em Washington, onde apresentou argumentos técnicos defendendo a exclusão dos calçados brasileiros da medida. Também se posicionaram contra a tarifa representantes da Footwear Distributors and Retailers of America (FDRA), da American Apparel & Footwear Association (AAFA), da United States Fashion Industry Association (USFIA), além de importadores e varejistas norte-americanos.
Durante a audiência, a Abicalçados argumentou que o Brasil desempenha papel complementar na cadeia de abastecimento dos Estados Unidos, oferecendo flexibilidade produtiva, diversidade de modelos e prazos reduzidos de entrega. A entidade também destacou que o calçado brasileiro contribui para diversificar o fornecimento em um mercado que depende majoritariamente de importações e atualmente concentra grande parte das compras em países asiáticos.
Segundo Haroldo Ferreira, o aumento da diferença tarifária entre o Brasil e outros países exportadores tende a reforçar essa concentração, contrariando, na avaliação da entidade, os objetivos dos Estados Unidos de ampliar a diversificação e a segurança de suas cadeias de suprimentos.
A Abicalçados afirmou ainda que a tarifa adicional não contribui para enfrentar os temas que motivaram a investigação e reiterou que continuará buscando soluções por meio do diálogo técnico e diplomático junto ao Governo Federal, às autoridades norte-americanas e às entidades parceiras.
Diante da nova medida, a entidade revisou suas projeções para as exportações brasileiras de calçados em 2026. A estimativa anterior apontava retração média de 3,6% no ano, após o fim da tarifa adicional de 40% em fevereiro. Com a aplicação da nova tarifa de 25%, a expectativa passou a ser de queda média de 7,1% nas exportações totais de calçados em 2026, uma piora de 3,5 pontos percentuais em relação à projeção anterior.


