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Especialistas alertam para uso seguro das canetas no tratamento da obesidade

Endocrinologista e nutricionista destacam que medicamentos devem ser utilizados apenas com indicação médica, associados a mudanças no estilo de vida e adquiridos em locais confiáveis para evitar riscos à saúde.
Medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade devem ser utilizados somente com indicação médica e acompanhamento profissional. Foto: Divulgação

As chamadas canetas para tratamento da obesidade têm se consolidado como uma importante ferramenta no combate ao excesso de peso, mas especialistas alertam que o uso desses medicamentos exige acompanhamento médico e nutricional. O aumento da procura também trouxe preocupações relacionadas ao uso indiscriminado e à circulação de produtos falsificados, que podem colocar a saúde dos pacientes em risco.

O endocrinologista Dr. Thiago Fritzen esclarece dúvidas sobre o uso, as indicações, os benefícios e os riscos das canetas para tratamento da obesidade. Foto: Divulgação

Em entrevista divulgada pela Rede de Farmácias São João, o endocrinologista Dr. Thiago Fritzen explica que medicamentos como liraglutida, semaglutida e tirzepatida atuam sobre hormônios responsáveis pelo controle da fome, da saciedade e da glicose. Segundo ele, além de reduzir o apetite, esses medicamentos retardam o esvaziamento do estômago e auxiliam no controle glicêmico, oferecendo benefícios que vão além da perda de peso.

A nutricionista Mariana Formigheri destaca que a redução do apetite favorece o consumo de menores quantidades de alimentos e pode diminuir o desejo por produtos ricos em açúcar e gordura, além de reduzir o chamado “ruído alimentar”, caracterizado pelos pensamentos frequentes sobre comida. Apesar disso, ela ressalta que a alimentação equilibrada continua sendo essencial durante o tratamento para garantir a ingestão adequada de nutrientes.

A nutricionista Mariana Formigheri destaca que alimentação equilibrada e acompanhamento nutricional são fundamentais durante o tratamento da obesidade. Foto: Divulgação

Conforme o endocrinologista, os medicamentos são indicados principalmente para adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30, ou para pessoas com IMC a partir de 27 que apresentem doenças associadas ao excesso de peso, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono ou doenças cardiovasculares. A indicação, no entanto, depende de avaliação individual, considerando fatores como histórico clínico, hábitos de vida e outras condições de saúde.

Os especialistas também reforçam que existem contraindicações. Gestantes, mulheres que estão amamentando e pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, por exemplo, não devem utilizar esses medicamentos para perda de peso. Casos de doenças gastrointestinais graves, pancreatite e alterações renais também exigem avaliação médica criteriosa.

Além do emagrecimento, o tratamento pode contribuir para o controle da glicose, da pressão arterial e do colesterol, reduzir a gordura no fígado, aliviar dores articulares, melhorar a mobilidade e diminuir o risco de eventos cardiovasculares em pacientes com sobrepeso ou obesidade e doenças cardiovasculares já estabelecidas, conforme explica Dr. Thiago Fritzen.

Mariana Formigheri afirma que os resultados tendem a ser mais duradouros quando o tratamento é associado a uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento nutricional. Segundo a especialista, essas medidas ajudam a preservar a massa muscular, prevenir deficiências nutricionais e favorecer a manutenção do peso e da saúde a longo prazo.

A Rede de Farmácias São João ressalta ainda a importância de adquirir os medicamentos somente em estabelecimentos confiáveis e utilizá-los exclusivamente sob orientação de profissionais habilitados, como forma de reduzir os riscos relacionados ao uso inadequado e à falsificação de produtos.