
A adoção da inteligência artificial não começa necessariamente pela tecnologia. Antes de escolher uma ferramenta ou automatizar uma tarefa, é preciso saber qual problema deve ser resolvido e qual decisão precisa ser tomada. Essa foi uma das principais ideias apresentadas por Rafael Wainberg no painel “Antes da IA, existe uma decisão”, realizado às 15h20 durante a quarta edição do Taquara Summit.
Especialista em IA aplicada a negócios e decisão estratégica e cofundador do Founders Club, Wainberg também chamou atenção para uma percepção que considera equivocada: a de que pessoas mais velhas teriam mais dificuldade para utilizar inteligência artificial.
Segundo ele, a experiência acumulada pode, na verdade, facilitar o uso dessas ferramentas. Pessoas com mais tempo de trajetória profissional tendem a possuir mais repertório, vocabulário e domínio de diferentes contextos, elementos que ajudam na interação com sistemas de IA.
“Quem é de mais idade” não deveria pensar que a inteligência artificial “não é para mim”, afirmou.
Para explicar como obter respostas melhores das ferramentas de IA, Wainberg apresentou quatro elementos que considera importantes na elaboração de um prompt: persona, tarefa, contexto e formato.
A persona determina o papel que a inteligência artificial deve assumir. Em vez de simplesmente fazer uma solicitação genérica, o usuário pode estabelecer que a ferramenta atue, por exemplo, como especialista em tráfego pago. Dessa maneira, a resposta passa a ser orientada por uma função específica.
O segundo elemento é a tarefa. A IA precisa saber exatamente o que o usuário espera que ela faça, seja gerar um relatório, resumir um arquivo, produzir uma síntese ou criar uma mensagem.
O ponto considerado mais importante pelo palestrante, porém, é o contexto. Quanto mais informações relevantes forem fornecidas, maior tende a ser a possibilidade de a ferramenta produzir uma resposta adequada à situação apresentada.
Wainberg comparou dois pedidos para demonstrar a diferença. Um usuário pode simplesmente solicitar ao ChatGPT três posts para uma clínica dentária. Nesse caso, a ferramenta terá poucas informações para determinar público, linguagem e objetivo.
Um pedido mais contextualizado poderia especificar que os posts devem ser direcionados a pacientes de 10 a 12 anos que nunca fizeram uma obturação e também precisam ser compreendidos pelos pais. Com essas informações, a IA recebe mais elementos para adaptar a resposta.
“Quanto mais contexto eu der para a IA, melhor vai ser o resultado”, resumiu.
O especialista também destacou a importância de indicar o formato desejado. Em vez de limitar os pedidos a estruturas tradicionais, como listas, tabelas ou resumos, o usuário pode determinar exatamente como deseja receber o conteúdo.
Como exemplo, citou a solicitação de uma mensagem em formato de WhatsApp. Nesse caso, a ferramenta pode compreender que o texto deve ser mais curto, utilizar poucas frases e adotar características comuns desse tipo de comunicação.
A lógica apresentada por Wainberg desloca parte da discussão sobre inteligência artificial da ferramenta para o usuário. Para ele, utilizar bem a tecnologia depende da capacidade de formular problemas, fornecer informações relevantes e definir claramente o resultado esperado.
O painel “Antes da IA, existe uma decisão” integrou a programação da quarta edição do Taquara Summit, realizada no Centro de Eventos das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat). O evento reúne palestras, painéis e apresentação de cases sobre inovação, empreendedorismo, liderança, inteligência artificial, economia, sustentabilidade e desenvolvimento regional.


