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Memória em funcionamento: Museu do CIMOL inaugura Oficina de Restauro

Iniciativa idealizada por estudantes do CIMOL busca recuperar equipamentos históricos, ampliar a interação dos visitantes e digitalizar parte do acervo
(Fotos: André Amaral/Rádio Taquara)

Museu de História da Tecnologia Mestre Bauer, em Taquara, passou a contar oficialmente com uma Oficina de Restauro voltada à recuperação e à conservação de peças do acervo. A iniciativa foi idealizada por estudantes do curso de Eletrônica da Escola Técnica Estadual Monteiro Lobato (CIMOL) e começou a partir de ações pontuais realizadas ao longo do último ano. A partir de agora, a proposta passa a funcionar de forma permanente, com a participação de novos alunos.

A oficina foi idealizada pelos estudantes Arthur Goetz Kieling, Bruno Samuel Bach, Emanuel Vettorazzi Machado, Felipe Negri Castilhos dos Reis e Murilo Gellinger Martini. O projeto conta com o apoio da Associação dos Amigos do Museu de História da Tecnologia do CIMOL, do próprio CIMOL, do Instituto Taquara Mais e da CICS-VP.

Segundo a diretora do CIMOL, Kelly Barbosa, a proposta permite que os conhecimentos adquiridos pelos estudantes em sala de aula sejam aplicados diretamente na recuperação das peças do museu.

“Por meio dos alunos de Eletrônica que conheceram um museu com um acervo estático, através da manutenção e do conhecimento técnico de Eletrônica, com o apoio dos professores, eles estão dando vida ao sonho que o Mestre Bauer teve de ter um museu interativo, com as peças funcionando, dinâmicas, que promovessem o conhecimento da história da tecnologia para todos os visitantes”, afirma.

Participação dos alunos

A Oficina de Restauro reúne atualmente 10 estudantes dos três anos do curso de Eletrônica. A intenção é incorporar novas turmas ao projeto para garantir a continuidade das atividades ao longo dos anos.

De acordo com João Gabriel Kramer, estudante e oficineiro, a oficina atualmente é destinada aos alunos do primeiro e do segundo ano, mas a proposta é manter a renovação dos participantes. A ideia é que os estudantes que ingressam no curso possam assumir progressivamente as atividades e evitar que o projeto fique restrito a uma única turma.

Oficineiros

Para Ana Lúcia Holmer Bauer Schweitzer, presidente da Associação de Amigos do Museu de História da Tecnologia Harald Alberto Bauer, a iniciativa retoma um dos objetivos do próprio Mestre Bauer, que desejava aproximar os alunos do CIMOL do museu e de seu acervo.

“O objetivo do Mestre Bauer sempre foi que os alunos do CIMOL, que era a paixão dele, criassem e vivenciassem o museu. E foi muito bacana porque partiram dos próprios alunos as iniciativas de nos procurar para consertar as peças, as mais diversas peças”, relata.

Segundo Ana Lúcia, o Instituto Taquara Mais também contribuiu com equipamentos para a estruturação da oficina. Entre as atividades já realizadas estão a restauração de gramofones e eletrolas, além do trabalho de digitalização do acervo de discos do museu.

Acervo digital

Além da recuperação dos equipamentos, os estudantes trabalham na digitalização de materiais históricos. A proposta é criar uma biblioteca digital que permita ao público acessar parte do conteúdo preservado pelo museu.

“É a ideia de digitalizar o acervo para criar uma biblioteca digital com todo esse material que foi digitalizado, para que o público possa ter acesso. O projeto veio de uma ideia totalmente dos alunos. É um projeto totalmente voluntário, com o apoio dos alunos do CIMOL”, explica Arthur Goetz Kieling, um dos idealizadores da oficina.

Emanuel Vettorazzi Machado, também estudante e oficineiro, explica que o trabalho envolve diferentes tipos de equipamentos e mídias. O acervo reúne peças relacionadas à evolução tecnológica, incluindo equipamentos eletrônicos utilizados em laboratórios, aparelhos de áudio e vídeo e outros objetos de diferentes períodos.

Na oficina, os estudantes selecionam equipamentos que podem ser recuperados, realizam os reparos necessários e buscam fazê-los voltar a funcionar. O trabalho também inclui a digitalização de mídias que integram o acervo.

Memória tecnológica

Localizado na Rua Ernesto Alves, 2653, no bairro Jardim do Prado, o Museu Mestre Bauer reúne artefatos de diferentes períodos da evolução tecnológica. Parte das peças permite interação dos visitantes com os equipamentos.

Para Kelly, a oficina transforma o museu em um espaço também de formação prática para os estudantes e de transmissão de conhecimento sobre a história da tecnologia.

“É uma satisfação a gente ter alunos que, aprendendo, também conseguem multiplicar as informações que a história da tecnologia tem dentro desse espaço, que é cultural, é pedagógico e também faz parte da formação dos cidadãos que por aqui passam, que estão trabalhando e se formando também”, afirma.

A direção do CIMOL pretende ampliar a iniciativa com o apoio da comunidade, empresas, entidades e outros colaboradores. A proposta também prevê intercâmbios com outros museus e espaços, possibilitando a recuperação de peças que estejam fora de uso e sua posterior reintegração a atividades de exposição, interação e aprendizagem.