
Um laudo psiquiátrico judicial concluiu que Gisele Beatriz Dias, de 44 anos, acusada de matar as filhas gêmeas Manuela e Antônia Pereira, de 6 anos, em Igrejinha, tinha condições mentais para responder criminalmente pelos fatos. Com a conclusão da perícia, o processo, que estava suspenso, poderá ser retomado para as próximas etapas antes do julgamento pelo Tribunal do Júri.
Gisele é ré por duplo feminicídio e permanece presa. Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público do Estado (MPRS), as duas meninas teriam sido mortas por sufocamento, em outubro de 2024, com oito dias de intervalo.
O laudo do Departamento Médico Judiciário foi concluído em 25 de setembro e juntado ao processo em 1º de outubro. Conforme a avaliação, não foram identificados elementos psiquiátricos que demonstrassem que eventual transtorno mental tivesse eliminado ou reduzido significativamente, na época dos fatos, a capacidade da acusada de compreender o caráter ilícito das condutas.
O documento registra histórico de transtorno depressivo e abuso de medicamentos. Após a apresentação do laudo, foi aberto prazo para manifestações do Ministério Público e da defesa. A decisão sobre a imputabilidade cabe ao juiz.
Caso a conclusão seja reconhecida judicialmente, o processo criminal deverá ser retomado e avançar para a preparação do julgamento pelo Tribunal do Júri de Igrejinha. Ainda não há data definida para o júri.
Gisele havia sido pronunciada em 4 de julho de 2025, quando a Justiça entendeu haver prova da materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria para levar a acusação ao Tribunal do Júri. A decisão de pronúncia não representa condenação.
Posteriormente, a defesa recorreu e o Tribunal de Justiça determinou a realização do exame de insanidade mental. Em novembro de 2025, a Justiça instaurou o incidente e suspendeu o processo até a conclusão da avaliação.
Defesa diz que laudo não trata da autoria
O advogado José Paulo Schneider afirmou que a defesa recebeu com tranquilidade o resultado da perícia e destacou que a avaliação se restringe à capacidade da acusada de responder criminalmente, sem determinar se ela cometeu os crimes.
Segundo o advogado, Gisele nega a autoria dos fatos desde o início do processo. A defesa sustenta que a inocência da ré será demonstrada durante o julgamento pelo Tribunal do Júri.
Mortes ocorreram com oito dias de intervalo
Manuela foi encontrada desacordada em casa, onde estava com a mãe, em 7 de outubro de 2024. Ela foi encaminhada ao hospital, mas chegou sem vida. Inicialmente, havia suspeita de infarto.
Oito dias depois, em 15 de outubro, Antônia também foi encontrada desacordada, desta vez em sua cama. O Corpo de Bombeiros constatou a morte no local. Após o segundo caso, Gisele foi presa enquanto prestava depoimento.
Entre os elementos que reforçaram as suspeitas durante a investigação está o depoimento de um médico, que relatou que Gisele teria mencionado “ideias perversas” em relação às filhas durante uma internação psiquiátrica para tratamento de depressão profunda, semanas antes das mortes. A filha mais velha da acusada, irmã das gêmeas, também prestou depoimento.
As perícias realizadas nos corpos não identificaram veneno nos restos mortais, e o Instituto-Geral de Perícias (IGP) não conseguiu determinar a causa das mortes. Mais de cem substâncias químicas foram pesquisadas, incluindo medicamentos sedativos, pesticidas e venenos, com resultados negativos.
Apesar disso, o Ministério Público sustenta na acusação que Manuela e Antônia foram vítimas de sufocamento. A responsabilidade criminal pelos fatos será analisada pelo Tribunal do Júri.


