
O Espaço Cultural Casa Vidal, em Taquara, recebe até 24 de outubro a exposição fotográfica “Cordão de Girassol: Visibilidade e Neurodiversidade”, da fotógrafa Débora Millani. A mostra reúne quatro histórias de pessoas e famílias neurodivergentes e busca promover conscientização, respeito, inclusão e valorização da diversidade.
Um dos elementos centrais da exposição é o Cordão de Girassol, utilizado para identificar pessoas com deficiências ocultas e também associado à identificação de pessoas neurodivergentes. Por meio das fotografias, Débora busca ampliar o conhecimento sobre o significado do símbolo e estimular o respeito às necessidades e singularidades de quem o utiliza.
Esta é a primeira exposição da fotógrafa aberta ao público. A mostra foi inaugurada em 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, data escolhida em razão da relação com a temática do trabalho.
Inspiração para o projeto
Segundo Débora, a ideia surgiu durante um ensaio realizado com uma família em que mãe e filho são neurodivergentes. Na ocasião, a mãe pediu para fazer uma fotografia ao lado do filho utilizando o Cordão de Girassol, que a fotógrafa usava no pescoço. A experiência despertou a percepção de que a fotografia poderia ser utilizada para dar visibilidade a uma realidade que muitas vezes permanece pouco percebida pela sociedade.
“Sempre tive a compreensão de que a arte é muito mais do que mera expressão, mas sim uma ferramenta de transformação social. E assim, surgiu a necessidade de dar visibilidade ao que é invisível e decidi, a partir da linguagem da arte fotográfica, compartilhar com o público a importância e o significado do uso do Cordão de Girassol, promovendo o respeito, a inclusão e a diversidade deste universo”, explica Débora.
A exposição é formada por quatro histórias, com personagens e contextos distintos, que fazem parte do círculo social da fotógrafa e têm em comum o uso do Cordão de Girassol. Os ensaios foram planejados individualmente, considerando as características de cada participante e buscando proporcionar conforto durante os registros.
“Os personagens destas histórias não são apenas modelos de um ensaio fotográfico, mas sim pessoas que aceitaram compartilhar comigo e com o público sua individualidade e existência através das minhas lentes”, destaca a fotógrafa, que também é neurodivergente, autista nível 1 de suporte e TDAH.
Retorno do público
Débora destaca que o ambiente da Casa Vidal contribui para a experiência proporcionada pela exposição. Segundo ela, o espaço destinado às mostras é acolhedor, tranquilo e silencioso, favorecendo a contemplação das obras. A iluminação natural também é apontada pela fotógrafa como um elemento que valoriza as imagens.
Desde a abertura, a exposição tem recebido retorno positivo do público. Conforme Débora, familiares de pessoas neuroatípicas se reconheceram nas imagens e se emocionaram diante das fotografias. A mostra também possibilitou que visitantes que desconheciam o significado do Cordão de Girassol tivessem acesso a informações sobre o tema.
“Tive o privilégio de encontrar espectadores que foram às lágrimas por serem familiares de pessoas neuroatípicas e se identificarem com as imagens, isso é muito gratificante. Também muitas pessoas que não sabiam o significado do uso do Cordão de Girassol puderam se informar sobre o tema. Tudo isso confirma a arte como transformação social e reforça a importância de ocupar os espaços culturais da nossa cidade”, afirma a fotógrafa.
A exposição integra a programação cultural da Casa Vidal e pode ser visitada até 24 de outubro. O espaço funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados, das 9h às 17h.


