Cultura e Lazer Oktoberfest

Liége Brusius será vice-presidente da 38ª Oktoberfest e destaca legado do voluntariado

Com 36 edições de atuação voluntária, professora integrará a presidência comandada por Kenny Thomas e Marqueli Heidrich em 2027 e deverá assumir a liderança da festa na 39ª edição
Liege Brusius assume a vice-presidência no próximo ano e, consequentemente, será a presidente da festa em 2028.
Foto: Lorenzzo Santiago / Rádio Taquara.

A Oktoberfest de Igrejinha ainda encerrava sua 37ª edição quando os primeiros passos para a festa de 2027 começaram a ser apresentados. Liége Brusius, de 63 anos, foi anunciada como vice-presidente da 38ª Oktoberfest, que terá Kenny Thomas e Marqueli Heidrich à frente da organização. Voluntária há 36 edições, a professora também inicia, com a escolha, a preparação para assumir a presidência da 39ª edição.

O anúncio ocorreu no sábado (17) e foi acompanhado pela Rádio Taquara. Ao apresentar Liége, Kenny destacou a importância da transmissão de conhecimento entre diferentes gerações de voluntários e afirmou que a experiência acumulada pela futura vice-presidente deverá contribuir para a organização da próxima edição.

“Isso só é possível porque muita gente, antes da gente, trilhou esse caminho, pavimentou essa estrada e hoje nós estamos colhendo. E a nossa tarefa é manter esse legado adiante”, afirmou Kenny. Segundo ele, a escolha busca agregar à presidência alguém que reúna conhecimento sobre a história e a cultura da festa.

“Nós precisamos de alguém que traga essa bagagem cultural, essa bagagem histórica, que traga tudo que aprendeu durante essa vida. E, sem dúvida alguma, isso vai ser um apoio para a gente e vai ser um apoio gigantesco para a nossa festa”, declarou à Rádio Taquara.

Experiência de 36 edições

Liége participa da Oktoberfest desde a segunda edição. Sua trajetória começou na praça de alimentação, quando também auxiliava o pai, que mantinha um espaço de comercialização de lanches durante a festa. Posteriormente, passou pelos desfiles e, em 2001, assumiu a coordenação da atividade, permanecendo na função durante 12 anos.

Em 2013, tornou-se coordenadora da então recém-criada Comissão de Relações Sociais. A partir de 2019, após mudanças no estatuto da Associação de Amigos da Oktoberfest de Igrejinha (Amifest), passou a integrar a diretoria da entidade.

Professora e pedagoga, Liége também mantém atuação relacionada à preservação da cultura germânica. Entre os trabalhos dos quais participou está a produção de um curta-metragem sobre o dialeto germânico da região.

A escolha para a vice-presidência ocorreu após uma aproximação maior com Kenny e Marqueli durante a preparação da 37ª Oktoberfest. O casal buscou integrantes mais experientes da diretoria da Amifest para conversar sobre o funcionamento da entidade e os desafios envolvidos na realização da festa.

“A festa já fez muito por mim”

Em entrevista à Rádio Taquara logo após o anúncio, Liége admitiu que assumir a nova função representa um desafio, mas afirmou que sua experiência e a estrutura formada pelos voluntários contribuíram para a decisão de aceitar o convite.

“Não posso dizer que é tranquilo, que a gente acha que vai dar conta sozinho. Mas tem algo dentro de mim que me empurrou. Eu sou uma pessoa corajosa, eu sempre aceitei desafios”, afirmou.

Liége disse que entendeu o convite como uma oportunidade de ampliar sua contribuição para um evento do qual participa há décadas. “A minha experiência podia agregar valor à condição de vice-presidência. Eu não podia dizer não. A festa já fez muito por mim e era agora a minha vez de fazer um pouco mais pela festa também”, declarou.

A futura vice-presidente também ressaltou que pretende exercer a função de forma coletiva. “Sou feliz, espero corresponder, mas sei que eu não vou fazer sozinha. Eu sei que cada diretor, cada coordenador e cada voluntário vai dar o seu melhor e, assim, a festa vai dar certo mais uma vez”, disse à Rádio Taquara.

A visão acompanha uma característica que Liége afirma ter desenvolvido ao longo da carreira profissional e da atuação comunitária. Para ela, liderar não significa conhecer individualmente todos os aspectos da organização, mas identificar capacidades, incentivar as pessoas e distribuir responsabilidades.

“Eu nunca fui a pessoa que sabia de tudo. Mas eu sempre fui a pessoa que soube liderar, motivar, incentivar e dar protagonismo para os outros”, afirma.

Sucessão busca transmitir conhecimento

Kenny também destacou à Rádio Taquara o modelo de sucessão adotado pela Oktoberfest, no qual integrantes da futura presidência acompanham a organização antes de assumirem novas responsabilidades. Segundo ele, esse processo permite que o conhecimento adquirido ao longo das edições seja transmitido.

“Nós temos quase 40 anos de profissionalismo justamente por essa sucessão na liderança, onde o presidente escolhe um vice, ambos acompanham a festa inteira e o vice adquire esse conhecimento para executar no ano seguinte”, explicou.

O futuro presidente acrescentou que a dimensão alcançada pela Oktoberfest exige o envolvimento de uma ampla equipe. “A gente individualmente, claro que não se sente preparado, mas a gente se sente preparado, sim, contando com as pessoas que a gente tem. A gente tem profissionais muito dedicados, tem pessoas aqui que trabalham horas e horas no parque. A gente precisa honrar, valorizar”, disse.

Kenny ainda ressaltou o caráter comunitário e regional do evento. “Essa festa é nossa, é uma festa comunitária, é uma festa da região, não é só de Igrejinha. Então todos são bem-vindos”, afirmou.

Cultura e valorização da história

Na futura gestão, Kenny e Marqueli pretendem ampliar a valorização das pessoas que participaram da construção da Oktoberfest ao longo das décadas. Entre as propostas está a aproximação com ex-presidentes e o resgate de histórias e experiências de edições anteriores.

Liége deverá contribuir especialmente nesse aspecto. Ao longo de sua atuação, acompanhou diferentes etapas de crescimento da festa e afirma que a preservação cultural continuará entre suas prioridades.

“A minha linha é a linha da cultura. Se eu conseguir continuar mantendo as atividades culturais, fortalecendo esse jeito da nossa festa de ser, da nossa cultura, acho que essa é, para mim, a razão de estar ali”, afirma.

Aos 63 anos, ela também vê a nova função como uma oportunidade de ampliar a presença de mulheres mais experientes em espaços de liderança. Para Liége, a maturidade e o conhecimento acumulado ao longo dos anos também podem contribuir para a condução da festa.

“A festa não é do presidente. A festa é da comunidade e, para isso, tem pessoas para liderar”, resume.

A 38ª Oktoberfest de Igrejinha está prevista para ocorrer de 22 a 31 de outubro de 2027. Com Kenny Thomas e Marqueli Heidrich na presidência e Liége Brusius na vice-presidência, a organização deverá iniciar a preparação da próxima edição buscando conciliar novas perspectivas de gestão com a preservação da história, da cultura e do modelo de voluntariado que acompanha a festa.