Cultura e Lazer Oktoberfest

Alok destaca vínculo com a Oktoberfest de Igrejinha em show marcado por homenagens e megaprodução

DJ relembrou doação de cachê em passagem anterior pela festa e afirmou que buscou integrar elementos da cultura local à apresentação; bastidores envolveram equipe de 50 pessoas, seis empresas terceirizadas e 300 drones
Foto: Cleiton Miguel / Divulgação

Alok retornou à Oktoberfest de Igrejinha neste domingo (18) para uma apresentação preparada especialmente para a 37ª edição da festa. Antes de subir ao palco, o DJ falou sobre a relação construída com o evento desde sua primeira passagem pelo município, enquanto a organização detalhou os bastidores da estrutura montada para o espetáculo.

Na entrevista, Alok relembrou que, quando conheceu a história da Oktoberfest e o trabalho voluntário envolvido na realização do evento, decidiu doar o cachê de sua apresentação, no ano de 2019. Segundo o artista, a iniciativa surgiu de forma natural após compreender a proposta da festa.

“Quando me contaram a história, eu me senti comovido. Eu queria também ser um voluntário e contribuir. A gente acabou doando o cachê”, recordou. Alok afirmou ainda que esperava que a atitude pudesse servir de exemplo para outros artistas. “Depois que eu tive consciência de quão lindo era esse evento e quanto as pessoas estavam contribuindo, é quase que eu fiquei constrangido de não fazer minha parte”, disse.

Para o retorno a Igrejinha, o artista contou que a proposta era novamente sair do formato habitual de suas apresentações. Além do show de drones, Alok antecipou que seriam incorporadas músicas tradicionais e referências à Oktoberfest. Segundo ele, adaptar a apresentação ao local onde está se apresentando é uma forma de respeito à cultura do evento.

“Por mais que eu seja um artista de música eletrônica, eu sei que furei essa bolha, saí do segmento, do nicho eletrônico”, afirmou, citando apresentações em eventos como São João, Carnaval e Rock in Rio. “Eu sempre tento me adaptar para esses lugares, porque acho que é muito importante respeitar o lugar onde eu estou e me adaptar a ele.”

Um dos principais elementos preparados para Igrejinha foi o espetáculo com 300 drones. Conforme o diretor administrativo da Associação de Amigos da Oktoberfest de Igrejinha (Amifest), Cassiano Brenner, a atração não estava incluída na negociação inicial para a contratação do DJ. A organização, porém, havia acompanhado uma apresentação de Alok no Planeta Atlântida e passou a negociar a inclusão dos drones.

As conversas, segundo Brenner, duraram aproximadamente dois meses. Ao final, o escritório do artista assumiu o custo da empresa terceirizada responsável pela operação. “Alok sendo voluntário, porque mais uma vez ele contribui com a festa”, afirmou o diretor.

A montagem dos 300 equipamentos começou às 8h de domingo. Os drones foram posicionados em uma área próxima ao Rio Paranhana e programados para formar desenhos e inscrições durante o show. A Amifest também participou da definição das imagens que seriam apresentadas. O funcionamento foi sincronizado com a música e com outros elementos da apresentação.

Alok explicou, antes do espetáculo, que os drones representavam uma forma de materializar as homenagens preparadas para Igrejinha. “Aqui a gente vai conseguir materializar várias homenagens à Oktoberfest e à Igrejinha”, antecipou.

A dimensão da produção também se refletiu nos bastidores. De acordo com Brenner, Alok chegou acompanhado por uma equipe de cerca de 50 pessoas, além dos profissionais de seis empresas terceirizadas. Havia grupos específicos responsáveis por iluminação, lasers, sonorização principal, monitores e imagem, além das equipes de apoio ao artista.

A estrutura exigiu ainda planejamento para a troca de atrações no palco principal. A mesa utilizada no show de Alok estava instalada sobre uma estrutura móvel, permitindo que fosse deslocada para a apresentação da banda alemã voxxClub e recolocada posteriormente. Conforme a organização, os equipamentos necessários para cada artista haviam sido definidos antecipadamente a partir dos respectivos riders técnicos.

Para Alok, entretanto, a dimensão técnica não é o principal elemento que explica a trajetória da Oktoberfest. Na entrevista, ele atribuiu a consolidação da festa às pessoas que acreditaram no projeto ao longo das décadas.

“Eu acho que é muito mais sobre as pessoas do que o evento em si. Acho que essa é a base”, declarou. Ao saber que a Oktoberfest chegava à 37ª edição, o DJ destacou que a construção ocorreu ao longo de uma trajetória iniciada por pessoas que, segundo ele, levaram sua contribuição de forma genuína.

“Nosso papel hoje, a partir do momento que a gente está nesse evento, é continuar respeitando essa tradição, continuar honrando quem veio antes e tentar fazer com que dure mais 37, 137 anos”, afirmou.

Antes de subir ao palco, Alok também falou sobre o momento pessoal e profissional. Mesmo diante da agenda internacional, disse que atualmente considera o equilíbrio com a família um dos principais desafios da carreira.

“O que adianta ser o número um do mundo se eu não fosse o número um para os meus filhos, para a minha família?”, questionou. Para o artista, o sucesso passou a estar relacionado também à possibilidade de dividir experiências com os familiares. “Para mim hoje o que mais importa é ser o número um em casa”, resumiu.