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Esta postagem foi publicada em 18 de março de 2011 e está arquivada em Penso, logo insisto.

JAPÃO

Do “Meu livro de citações” – Quando ouço falar em “introdução digital”, sempre penso em exame de próstata.

JAPÃO
A tira que ilustra a coluna foi feita por mim em 1972 como parte de um projeto para publicação em jornais. Os personagens principais eram uma pedra e uma formiga, aliás, as duas que aparecem na imagem. Naquela época, o Japão era o grande herói da economia mundial e uma de suas principais características era a miniaturização. Havia um ditado que dizia alguma coisa como “o alemão inventa; o norte-americano produz em série; o japonês faz microscópico”. Esse fato foi debicado no desenho com o pequeno elefante. Lamentavelmente, meu projeto não foi adiante.
Por que essa publicação, hoje, quase 40 anos depois? Pela mais óbvia razão. O Japão, novamente, está no centro das atenções mundiais. Só que, agora, o motivo não é bom. Uma nação pequena no tamanho, mas grandiosa na organização, outra vez enfrenta uma dificuldade gigantesca.
No final da Segunda Guerra Mundial, o país sentiu na pele o significado de uma explosão nuclear. Até hoje, 65 anos depois, isso é lembrado como o ápice da agressividade entre nações. Na tentativa de dar alguma ética à condenação aos Estados Unidos – lançadores do artefato – os japoneses sempre disseram: “tudo bem, a gente chutou uns e outros por aí, mas esses sempre podiam escapar; nós não pudemos!”. Independente de todos os maniqueísmos possíveis, concordo.
Eis, então, que na semana passada nossos irmãozinhos nipônicos tiveram a desgraça de sofrer um terremoto acoplado a um maremoto (hoje em dia é mais legal falar “tsunâmi”) devastadores, que provocaram grave acidente numa usina atômica. Não há chance de fugir da radiação atômica, venha ela em forma de bomba ou em forma de energia descontrolada.
É muita desgraça! Desta vez, não dá para culpar ninguém; não foram os americanos. A própria natureza se encarregou da sujeira. O Japão apenas estava no lugar errado na hora errada.

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