O dia amanheceu ensolarado deixando a manhã bonita. Ninguém podia imaginar que o tempo mudaria, transformando o domingo, 17, em um caos. No dia do seu aniversário, Taquara ganhou um presente de grego. Acostumados com as lembrancinhas há tempos, os taquarenses receberam uma grande enxurrada enlaçada com uma forte ventania. Não teve rua que não sentisse o estrago visível na segunda-feira. Lama e árvores caídas pelo centro, e imagino eu, pelos bairros também. O que se quer saber é quem enviou esse presente, São Pedro ou a displicência do governo municipal? Acho que sabemos a resposta, né? Sempre que escrevo sobre Taquara corro o risco de ser tachada como alguém que muito reclama do município e não vê o lado bom. Ora, o lado bom, pra mim, não cobre os infortúnios. O pessoal que está no governo comenta sobre a participação dos munícipes quanto à limpeza da cidade, mas não distribui lixeiras pela ciclovia. Tem cabimento uma avenida daquele comprimento não ter lixeiras? E o pessoal do Meio Ambiente que quando solicitado para poda de árvores, por vezes impedem? Não é a calçada deles que está levantada por causa da raiz e não é carro ou casa deles que corre o risco de ser destruído por uma árvore podre.
Desde criança me questiono por que raios as árvores em Taquara são diferentes em cada rua. Ainda se fossem bonitas ou fizessem sombra, eu não reclamaria. Mas além de manchar os carros com as florzinhas rosas, não são altas o suficiente para algo ou alguém ficar debaixo ou são altas demais que se entremeiam pelos fios de luz. Além de invadir, em alguns casos, a metade da calçada – a qual por vezes tem a outra metade invadida por cadeiras de plástico ou gente mal educada. Coisas de Taquara. Depois do que aconteceu nesse domingo, quem sabe o pessoal do Meio Ambiente acorde e vá trabalhar em prol do bem-estar das pessoas que pagam o querido IPTU a fim de ver melhorias pela cidade do que em prol das árvores, moitas e matagal afora.
Por falar em matagal e melhorias, Taquara deveria ter uns seis aniversários por ano, assim receberíamos pintura nos cordões de calçada e capina na ciclovia como presente da Prefeitura. Ou, quem sabe, poderíamos presentear com pacotinho de bom senso quem governa essa cidade, e dentro dele colocaríamos umas indicações de “coisas para deixar Taquara um pouquinho mais próxima do que é um município decente”. Que tal?
Por fim, um apelo de quem viaja todos os dias e circula de ônibus por dentro de Taquara: não é legal ficar chacoalhando dentro do veículo toda vez que se passa pelos “olhos-de-gato” e “tachões” dispostos à revelia pela cidade. Vão me dar tratamento quiroprático quando eu já não me agüentar de dor na coluna por causa disso? Já ouviram falar em “lombada”, vulgo “quebra-mola”? É a última tendência em conforto e segurança. Uma maravilha.
Bruna Foscarini
Acadêmica de Jornalismo
Esta postagem foi publicada em 20 de abril de 2011 e está arquivada em Caixa Postal 59.


