Do meu tuíter, @Plinio_Zingano – Finalmente, começou a revolução educacional no Brasil. Vocês nem imaginam em que lugares existe um sertanejo universitário! Dá-lhe, MEC!
OS PRECONCEITOS
Normalmente, evito falar de comentários feitos aos meus textos. Tanto os favoráveis – enchem-me de vaidade – quanto, principalmente, os negativos. Por que não toco nesses temas? Porque a tendência é tornar o assunto redundante: eu escrevo; alguém opina; eu replico; vem a tréplica; e a coisa vai adiante numa espécie de moto contínuo.
Entretanto, como na crônica passada, em relação ao “Meu livro de citações”, vou romper o modus operandi. Comentarei duas mensagens recebidas, escritas em função dos últimos textos.
Carinhas, foram manifestações dolorosas! Eu não me sabia tão malvado, tão sem-vergonha. De todas as minhas más qualidades, porém, a mais chocante foi a minha incrível burrice (“mil vezes burro”, na hiperbólica opinião de um dos seres missivistas). Escrevi “seres” por não saber quem enviou a mensagem. Certamente, não foi emeio automático. As assinaturas não permitem a identificação dos autores, resultando, por isso, em correspondência anônima. Poderia ter-me referido a “leitores”, mas… está bem, são leitores. Gostaria que se mantivessem nesta situação, embora duvide disso. Uma vez que me julgam tão burro, é pouco provável a permanência. Salvo se, por algum inexplicável deslize masoquista, quiserem continuar a sofrer com minhas estupidezes.
Quais as reclamações? Resumindo (é o espaço), uma delas dá por esgotado o assunto do ensino da língua portuguesa na escola, uma vez que 4.000 linguistas encaminharam um manifesto de desagravo ao MEC, aprovando o sistema de não se exigir explicitamente a norma padrão nas escolas para evitar “preconceito linguístico”. Retruco com Bertrand Russel: “mesmo quando todos os especialistas estão de acordo, podem muito bem estar enganados”. E agrego Saramago: cabe à escola “ensinar o aluno a escrever corretamente e também explicar por que as regras são assim, e não de outra maneira”. Meu missivista afirma, ainda, que os professores de português saem das universidades sabendo como agir. Ah!, sim, vê-se!
Outra mensagem me permite criticar. “Tem todo o direito, mas desde que tenha argumentos para isso”. Pronto, acabou de me negar o direito de criticar, pois se minhas ideias lhe forem contrárias, sempre serão consideradas faltas de argumentos. E ficou muito irritada insinuando meu desprestígio a vários grupos lutadores por sua identidade. Na lista desses grupos, esqueceu os ciclistas, pois, segundo os jornais, eles já participam de marchas de protestos.
Por fim, uma dessas santas criaturas, realmente, me pôs abaixo do c(*) do cachorro. Num ímpeto lombrosiano, referindo-se a mim, disse: “vi a foto dele. Uma cara de sofredor…! Só isso, porque seu nome, Zíngamo [sic], Plínio Zíngamo (isso é que é nome!) denuncia-o. Se fosse um Silva, um Souza, sei lá… Até dava para surpreender, mas, com esse nome, não”. Pois é! Fui condenado porque tenho cara de sofredor. E quanto ao nome, se isso não for preconceito contra os Silva e os Souza, não sei, não. Mas para tranquilizar o ser, informo meu outro nome: Dias. É o do meio.


