Recentemente assisti X-Men-Primeira Classe. Gostei demais do filme, e digo isso não por ser fã há tempos do mais querido grupo de heróis mutantes da Marvel, por acompanhá-los desde suas mais antigas e melhores fases nos quadrinhos.
Era em 3-D? Não. X-Men-Primeira Classe foi realizado em processo normal, e nenhuma sala de cinema o exibiu em 3-D. Precisava? Não. Tem um diretor inspirado, um roteiro muito bom, um elenco ótimo, tudo no lugar certo. Foi tão em película normal, tão espetacular, tão satisfatória a reinvenção do surgimento dos X-Men, que o efeito tridimensional, em tal caso, foi totalmente dispensável.
Na mesma sessão, ouço alguém dizer que pagou 23 reais para ver Thor em 3D e se decepcionou. Claro, Thor entrou no rol de filmes em que o 3D é encaixado depois, só para caçar níqueis. Assim está sendo feito em várias outras produções, onde em algumas partes é possível tirar os óculos sem se ver a diferença. Isso não se dá em Avatar, elaborado total em tal tecnologia, Resident Evil – A Extinção, Tron – O Legado e parece que em Transformers 3.
Quando o 3D é usado num filme é preciso pensar o que realmente se quer com tal efeito; não é simplesmente aumentar o realismo, é fazer com que o tal recurso se mescle aos sentidos do espectador e proporcionem a ele novas experiências sensoriais. Creio que o constante mau uso do 3D acabará por banalizar o verdadeiro sentido/função dessa tecnologia dentro da arte cinematográfica.
Dvds e blue-rays já estão sendo adaptados para 3D, usa-se um óculos mais simples (dá para fazer em casa) uma armação com celofane azul e vermelho como lentes, que não podem ser amassadas, caso contrário perde-se o efeito. Vi assim, em dvd, a refilmagem Dia dos Namorados Macabro e a animação Os Mosconautas, ambos produzidos originalmente em 3D, mesmo na telinha o resultado ficou bacana.
Peter Jackson o diretor da magnífica trilogia Senhor dos Anéis está a filmar outra parte de tal universo, O Hobbit. Se ele a fizer diretamente para 3D, sei que não usará o recurso de qualquer modo, mas terá um carinho especial ao adaptar a história dentro dele. E se tratando de Peter Jackson, o 3D é totalmente dispensável.
Há filmes nascidos para o 3D, há filmes forçados para dentro desse efeito e há filmes tão bons que podem tranquilamente passar longe dele. Quando a arte se supera por si mesma, usando só o necessário de suas características básicas, ela é mais valiosa que ao produzir-se maquiada visando ao lucro das bilheterias.
Esta postagem foi publicada em 15 de julho de 2011 e está arquivada em Haiml & etc..


