Do meu tuíter, @Plínio_Zíngano – Quando morre uma baleia, todos lamentam. Mas, quando a baleia come um milhão de sardinhas, ninguém dá bola. O maior é mais importante.
MORANGOS
Vocês já prestaram atenção à programação televisiva? Não estou falando das novelas e dos faustões da vida. Falo, isto sim, daquela parte matinal e vespertina dos dias de semana, quando as emissoras têm de preencher seus horários com alguma coisa para justificar o espaço publicitário vendido aos anunciantes. É uma região temporal cinza de ideias, embora multicolorida de artifícios, justamente, para atrair os consum…, digo, telespectadores. Estou me referindo aos xous de variedades com “muita prestação de serviços”.
Dentro dessa linha, um carro chefe é a tal da “alimentação saudável”. Qual será, realmente, o seu significado? Não se zangue, se você é um ferrenho seguidor dos princípios desse tipo de comportamento. Concluí que é absolutamente impossível determinar a saudabilidade de um tipo de alimentação como padrão de vida a ser seguido. Pode-se, evidentemente, determinar um alimento sem condições de consumo, ou por estar fora do prazo de validade ou por estar infectado (ou ser constituído) por qualquer substância nociva ao ser humano. Sabemos, por exemplo, que alguns vegetais são, naturalmente, tóxicos, capazes de levar o homem à morte. Há, também, animais enquadrados nesta classificação: mortal. Esses casos não estão sendo considerados. Estou analisando o bordão “alimentação saudável”. Não consigo perceber a que se refere ele. Aliás, o tema não fica adstrito apenas à televisão. No rádio, nos jornais e nas revistas, é a mesma coisa.
Até hoje, sou constrangido a aceitar a cebola como parte integrante de minha alimentação (um verdadeiro bullying alimentar), porque, principalmente, é um grande remédio. Não importa a minha ojeriza (num desses dias ouvi duas senhoras conversando e uma delas disse: “azar, não cozinho sem muita cebola; quem não gostar que vá comer noutro lugar”). É mesmo, azar! Fazendo dupla com a cebola vemos outro vegetal, excelente para combater a gripe, o alho. Jamais vi um cozinheiro deixar de usar essa dupla. É impossível ter saúde se não forem ingeridos diariamente!
Então, surgiu outro alimento ótimo para a saúde eterna: o peixe. Sinceramente, pessoal, me embrulha o estômago. Não consigo pensar em “frutos do mar” sem sentir uma imensa náusea. Peixe é bom para, sei lá, qual aspecto da nutrição? Não encaro.
Completando, no item bebida, o vinho. Para mim, o vinho é apenas uma bebida literária e bíblica. Eventualmente, bebo, mas posso muito bem passar sem ele! Invejo as pessoas que, diante de uma copa de vinho, reviram os olhos de prazer, pensando em traços frutados e toques veludosos. Pela propaganda, é a bebida da conquista amorosa. Nos livros, novelas, filmes uma cena romântica não ocorre se não houver, entre os participantes, uma garrafa e duas taças.
Todas as referências citadas acima foram pinçadas do cardápio da alimentação saudável. Ou seja, a julgar por essa relação, estou perdido. Tudo bem, a gente se acostuma. O fim é inevitável. Porém, o golpe de graça veio agora. O morango, aquela frutinha sem-sal, ótima para fotografias, que só adquire algum sabor aceitável se estiver completamente mergulhada em açúcar e creme de leite, entrou para o rol dos salvadores da saúde. Ele prolonga a vida. Deu na tevê.


